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Risco de falência hídrica expõe atraso do País na gestão da água

Debate na Câmara dos Deputados reúne autoridades, aponta crise crescente e cobra ações urgentes
O Dia Mundial da Água foi celebrado durante sessão solene na Câmara dos Deputados. Foto: Divulgação

A participação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) marcou a sessão solene realizada na Câmara dos Deputados, em homenagem ao Dia Mundial da Água. O encontro reuniu autoridades e especialistas para discutir desafios da gestão hídrica no País.

A proposta partiu do deputado Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista. A iniciativa abriu espaço para reflexões sobre o cenário atual e estratégias necessárias ao setor.

A presença do secretário-executivo adjunto do MIDR, Tito Lívio Pereira Queiroz e Silva, representou o ministério no debate. A fala destacou o papel estratégico da água para o desenvolvimento em diferentes áreas.

Crise global

O reconhecimento da água como elemento essencial à vida e ao desenvolvimento foi enfatizado durante o encontro. “Estamos falando de um elemento essencial à vida, mas também estratégico para segurança alimentar, energética, para saúde pública, bem-estar social e desenvolvimento sustentável”, afirmou Tito Lívio Queiroz.

Titi Lívio Queiroz representou o MIDR no debate realizado na Câmara dos Deputados. Foto: Divulgação

A atenção ao descompasso entre a importância do recurso e o avanço das metas globais também integrou o debate. A defesa de maior articulação internacional e de políticas públicas integradas apareceu como ponto central.

O alerta ganhou reforço na reunião preparatória da Conferência da ONU sobre a Água de 2026, prevista para dezembro, nos Emirados Árabes Unidos (EAU). O cenário global indica atraso no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 6, voltado ao acesso universal à água e ao saneamento.

“Em algumas regiões do Planeta, não estamos mais diante de um cenário de escassez hídrica, já começa a se usar o termo falência hídrica“, observou. A avaliação evidencia o agravamento da crise em diferentes partes do mundo.

Ações públicas

A apresentação de iniciativas do MIDR trouxe destaque para o fortalecimento da governança participativa da água. A atuação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos aparece como um dos pilares dessa estratégia.

A ampliação de parcerias, inclusive com apoio de mecanismos internacionais, também integra o conjunto de ações. A cooperação entre instituições surge como alternativa para enfrentar desafios estruturais.

Os investimentos no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) incluem o eixo Água para Todos, que reúne quatro subeixos voltados ao abastecimento e à infraestrutura hídrica. “Há investimentos relevantes também no âmbito do novo PAC, no qual temos um eixo chamado Água para Todos, que engloba quatro subeixos de abastecimento de água e infraestrutura hídrica”, destacou.

Pressão crescente

A exposição de dados pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Leonardo Góes Silva, reforçou a urgência do tema. As informações indicam desafios crescentes para o abastecimento. “Os estudos indicam uma redução de até 40% da disponibilidade de água nos principais centros urbanos e industriais”, afirmou. O dado revela impactos diretos em áreas estratégicas do País.

A realidade de 33 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada evidencia a desigualdade no acesso ao recurso. A necessidade de integração entre União, estados e Distrito Federal foi apontada como fundamental para garantir segurança hídrica.

Ação urgente

A convergência entre participantes marcou a defesa de políticas públicas articuladas. A cooperação entre entes federativos foi apontada como caminho para enfrentar os desafios.

O entendimento comum indica que, diante das mudanças climáticas, a gestão da água precisa ocupar posição central na agenda pública. O planejamento do desenvolvimento nacional passa, necessariamente, pela garantia desse recurso.