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Agentes do Estado e professores aparecem entre agressores em casos de violência contra mulheres

Relatório “Elas Vivem” revela ocorrências envolvendo profissionais em posições de autoridade e aponta crescimento da violência de gênero nos estados monitorados
Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

Agentes do Estado que utilizam força policial somaram 74 casos de violência contra mulheres. Professores aparecem logo em seguida, com 66 ocorrências registradas.

A presença desses grupos no levantamento chama atenção por envolver profissionais que ocupam funções de responsabilidade social.

Registros também apontam 44 casos envolvendo pessoas funcionárias públicas ou no exercício de funções públicas.

Colegas de trabalho aparecem em 36 ocorrências. Líderes religiosos foram citados em 24 casos.

AGRESSORES

Patrões, ex-patrões ou superiores hierárquicos também aparecem nos registros, com 20 casos de violência contra mulheres.

A diversidade de perfis indica que as agressões ocorrem em diferentes ambientes sociais, incluindo relações profissionais, institucionais e espaços religiosos.

Informações integram o 6º Relatório Elas Vivem, produzido pela Rede de Observatórios da Segurança.

A divulgação do estudo ocorreu na sexta-feira (6), com base em monitoramento de notícias sobre violência e segurança ao longo de 2025.

RELACIONAMENTOS

Outro dado relevante do levantamento envolve a relação entre vítimas e agressores.

Companheiros ou ex-companheiros aparecem como responsáveis por 78,5% das agressões registradas.

Segundo o relatório, a maioria dos episódios ocorre dentro de relações afetivas, frequentemente no ambiente doméstico.

Esse cenário reforça o caráter estrutural da violência de gênero no País.

PANORAMA

O relatório contabilizou 4.558 mulheres vítimas de algum tipo de violência nos estados monitorados pela pesquisa.

O número representa aumento de 9% em relação aos registros do ano anterior.

A média indica que, a cada 24 horas, 12 mulheres sofrem algum tipo de violência nos nove estados analisados.

Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo integram o recorte do estudo.

VIOLÊNCIA SEXUAL

Os dados também apontam crescimento expressivo da violência sexual.

Ao todo, 961 casos de estupro ou outras formas de violência sexual foram registrados em 2025.

O total representa aumento de 56,6% em comparação com 2024, quando haviam sido contabilizados 602 episódios.

Meninas e adolescentes aparecem como as principais vítimas desses crimes.

VÍTIMAS

A faixa etária entre 0 e 17 anos corresponde a 56,5% dos registros de violência sexual.

A predominância de vítimas jovens acende alerta sobre a vulnerabilidade de crianças e adolescentes.

Outro ponto destacado pelo relatório envolve lacunas nas informações sobre raça ou cor das vítimas. Em 86,7% das ocorrências divulgadas pela mídia, não havia identificação racial.

MORTES

O levantamento também registrou casos de violência letal contra mulheres. Ao todo, foram contabilizados 546 feminicídios e sete transfeminicídios.

Quando considerados homicídios, feminicídios e transfeminicídios, o total chega a 1.004 mortes. Os números reforçam a gravidade da violência de gênero no País.

REGIÕES

Alguns estados apresentaram indicadores considerados preocupantes. No Amazonas, 78,4% das vítimas de violência sexual eram crianças ou adolescentes.

O Pará registrou aumento de 76% nos casos de violência contra mulheres, o maior crescimento entre os estados monitorados.

No Rio de Janeiro, 39,1% das ocorrências foram registradas na capital.

PREVENÇÃO

Pesquisadores apontam a necessidade de ampliar políticas públicas de prevenção.

Avaliação do relatório indica que as ações atuais costumam ocorrer apenas depois que a violência já aconteceu.

Entre as recomendações aparecem investimentos em educação sobre equidade de gênero nas escolas.

A desconstrução de padrões culturais que naturalizam a violência contra mulheres também surge como prioridade.

DENÚNCIA

Casos de violência doméstica ou contra mulheres podem ser denunciados na Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180.

O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Atendimento também está disponível pelo WhatsApp no número (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.
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Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), delegacias comuns e unidades da Casa da Mulher Brasileira também recebem denúncias.

Pedidos de ajuda ainda podem ser feitos pelos números 100, para violações de direitos humanos, e 190, em situações de emergência policial.

Com informações da Agência Brasil.