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ONU e Anistia Internacional condenam ação policial no Rio que deixou 119 mortos

António Guterres pede investigação urgente, e Jurema Werneck classifica operação como “retumbante fracasso” para o Estado e para a sociedade
Jurema Werneck disse que a operação violou direitos humanos, a Constituição e o Direito Internacional. Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, expressou forte preocupação com o alto número de mortes na Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. O porta-voz da entidade, Stéphane Dujarric, afirmou que Guterres exigiu uma investigação imediata e o respeito às normas internacionais de direitos humanos.

Stéphane Dujarric destacou, em comunicado divulgado nesta quarta-feira (29), que o secretário-geral acompanha o caso com atenção. Ele reforçou que qualquer ação policial deve ser conduzida dentro dos limites da lei e com responsabilidade.

O Governo do Rio de Janeiro informou que 119 pessoas morreram durante a operação, que contou com apoio de forças estaduais e federais. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) monitora o caso, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que impõe limites às ações policiais em comunidades.

REAÇÃO INTERNACIONAL

Entidades da sociedade civil, familiares das vítimas e a Anistia Internacional classificaram a operação como massacre e pediram respostas urgentes das autoridades. Para a entidade, o número de mortes é inaceitável e exige investigação independente e rápida para garantir justiça e reparação.

Relatos de moradores apontam que diversas famílias ficaram presas dentro de casa, sem acesso a transporte, escolas e unidades de saúde durante a incursão. A Anistia Internacional e outras organizações locais recolhem testemunhos e denúncias sobre o episódio.

Especialistas consideram a Operação Contenção uma das mais letais da História recente do País. Eles afirmam que a ação expõe falhas estruturais na política de segurança e atinge de forma desproporcional comunidades vulneráveis.

CRÍTICAS À OPERAÇÃO

O governador Cláudio Castro (PL) justificou a ação como resposta a ataques de grupos armados e afirmou que a Polícia Militar (PMRJ) foi recebida a tiros nas comunidades. Apesar disso, críticas se intensificaram após a divulgação do número de vítimas.

A diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, chamou a operação de desastrosa e disse que há desinformação sobre os resultados. Para ela, a quantidade de mortes desmente qualquer alegação de sucesso.

Jurema Werneck declarou que a ação representa um retumbante fracasso do Estado e um trauma coletivo para a população. “Assassinato e sucesso não cabem na mesma frase”, disse, ao lamentar o sofrimento de milhares de moradores afetados.

VERSÕES EM CONFRONTO

O governador Cláudio Castro reafirmou que a operação representou um duro golpe na criminalidade. Para ele, a ação demonstrou a capacidade das Forças de Segurança em enfrentar organizações criminosas.

A diretora da Anistia Internacional rebateu as declarações do gestor fluminense e disse que o discurso oficial incentiva práticas ilegais. Segundo Jurema Werneck, a operação violou direitos humanos, a Constituição e o Direito Internacional.

A dirigente da entidade informou que continuará coletando informações e oferecerá apoio jurídico e psicológico às famílias atingidas. Jurema Werneck cobrou que o Governo do Rio de Janeiro apresente provas sobre o alegado planejamento da operação. “O mundo inteiro está vendo”, finalizou.