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Brasil manifesta “indignação” em carta aos EUA por novas tarifas sobre exportações

O governo brasileiro cobra diálogo e alerta para riscos à parceria econômica com os Estados Unidos após decisão de impor tarifa de 50% sobre produtos nacionais
Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Consequência dos recentes acontecimentos relacionados ao tarifaço, o governo brasileiro enviou uma carta oficial ao governo dos Estados Unidos expressando “profunda indignação” com a recente decisão norte-americana de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil, medida que entrará em vigor em 1º de agosto. O documento foi assinado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

A correspondência foi encaminhada ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer, e destaca o potencial impacto negativo que a medida poderá gerar em setores-chave das duas economias, ameaçando uma das parcerias comerciais mais relevantes do continente.

O governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto”, ressalta.

O governo brasileiro reforça no texto a importância histórica do comércio bilateral como pilar de cooperação e prosperidade entre os dois países. A carta cita que, ao longo de mais de dois séculos de relações diplomáticas, Brasil e Estados Unidos construíram uma base sólida de intercâmbio comercial, agora ameaçada pela nova política tarifária. “Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas”, afirma.

As autoridades brasileiras também apontam que, mesmo com esforços contínuos para melhorar o equilíbrio nas trocas comerciais, o Brasil acumula déficits expressivos com os EUA. Nos últimos 15 anos, o déficit na balança comercial alcançou aproximadamente US$ 410 bilhões, conforme dados oficiais do próprio governo norte-americano.

Até o momento, segundo a carta, o governo americano não respondeu ao documento.