O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou pela primeira vez sobre a ofensiva da Polícia Federal (PF) em sua residência nesta sexta-feira (18). Ele classificou a investigação como política. Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), ele colocou uma tornozeleira eletrônica e não poderá se aproximar de embaixadas.
Bolsonaro disse estar sofrendo uma “suprema humilhação” e que nunca teria pensado em sair do Brasil ou ir para alguma embaixada.
O ex-presidente também está proibido de sair à noite, tendo que permanecer em casa entre 19h e 7h, inclusive nos fins de semana. Ele também não pode se comunicar com outros investigados da trama golpista, manter contato com diplomatas, além de usar as redes sociais.
A PF encontrou, durante a operação de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, cerca de US$ 14 mil em espécie. Valores superiores a US$ 10 mil na residência de qualquer pessoa devem ser declarados à Receita Federal após cruzar as fronteiras. Durante a entrevista, o ex-chefe de Estado confirmou a apreensão e disse que possui recibo do Banco do Brasil. Na residência dele, também foi encontrado um pendrive escondido no banheiro, que será periciado.
Sobre o dispositivo eletrônico, Bolsonaro afirmou que nunca abriu um pendrive em sua vida e que não tem “nem laptop em casa”. Ele diz “não ter a menor ideia” de qual conteúdo pode estar dentro do pendrive.
De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, que determinou a operação, o ex-presidente agiu em conjunto com o filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para interferir em processos judiciais.
O parlamentar, que se encontra nos Estados Unidos, já afirmou que a investigação contra Bolsonaro está associada à imposição de sanções econômicas do país norte-americano ao Brasil, como a tarifa de 50% sobre a exportação de produtos brasileiros.
CONDENAÇÃO
Na última segunda-feira (14), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF a condenação de Bolsonaro e de mais sete réus do núcleo 1 da trama golpista. A manifestação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes.
O pedido faz parte das alegações finais, a última fase antes do julgamento dos acusados, que deve ocorrer em setembro deste ano. São ao todo 517 páginas de documento. As penas máximas para os crimes passam de 30 anos de prisão.
O procurador-geral Paulo Gonet defende que Bolsonaro e os demais réus devem ser condenados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
