O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) aplicou R$ 8,3 bilhões em contratações de crédito ao estado do Ceará em 2023. Segundo a superintendente do BNB no Ceará, Eliane Brasil, ao OPINIÃO CE, R$ 5,1 bilhões vieram do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), e destinados a setores como infraestrutura; comércio e serviços; pecuária e agricultura; e turismo.
Os outros R$ 3,2 bilhões foram de outros tipos de financiamentos, como de recursos internos do banco, do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo Geral do Turismo (Fungetur). O resultado representa um crescimento de cerca de 20% do investimento do banco no Estado em relação a 2022.
O setor de infraestrutura – que abrange projetos de energia eólica e solar -, foi o que recebeu o maior aporte dos recursos do FNE: R$ 2 bilhões. Além de tal quantia, foram destinados valores de R$ 1,2 bilhões a comércio e serviços; R$ 1,1 bilhões à pecuária e agricultura; R$ 948 milhões à indústria; e R$ 109 milhões ao turismo.
Ainda conforme Eliane, R$ 908 milhões foram destinados a Micro e Pequenas Empresas (MPE) em 2023 para o Ceará. Deste total, 52% foram de portes prioritários, que, como explicou ela, abrangem negócios que ocorrem no semiárido cearense. Os outros 48% foram para portes não prioritários.
CREDIAMIGO, AGROAMIGO E PREOCUPAÇÃO COM A SECA
Segundo a superintendente, o Ceará foi o estado que mais participou do Crediamigo no ano passado, com mais de R$ 2,5 bilhões aplicados. Em 2023, foram alcançados 700 mil clientes só em território cearense, quantidade superior em 100 mil em relação ao ano anterior. O Estado trabalha com o desafio de alcançar 1 milhão de clientes, segundo Eliane.
Já em relação ao Agroamigo, programa alinhado ao Plano Safra e destinado a agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) com o intuito de estimular a geração de renda e melhorar o uso da mão de obra familiar, o BNB destinou R$ 919 milhões de julho a dezembro de 2023 no Ceatá. Até junho de 2024 – período de aplicação dos investimentos do programa – o Agroamigo deve alcançar R$ 3 bilhões no Estado.
Para 2024, a expectativa de diminuição no volume de chuvas devido ao impacto do fenômeno climático El Niño vem preocupando o banco. Conforme a superintendente, o BNB vem participando de grupos de trabalho desde novembro para definir a estratégia de superação do momento de estiagem previsto por especialistas e órgãos relacionados ao recurso hídrico.
“Temos pessoas do banco trabalhando em Brasília com os demais órgãos. Dentro desse trabalho, estamos pensando em financiamento para alimentação animal, com financiamento de silagem, de algum pasto, de custeio para aquisição de alimento para o gado, principalmente… Tudo isso já está sendo estruturado, em estudo, então ainda precisa de aprovação”, disse.
Segundo ela, o BNB estuda manter um percentual de 65% dos recursos destinados ao Ceará para o semiárido em 2024.
R$ 58,4 BILHÕES À ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO BNB
O valor destinado ao Ceará representa 14,2% de toda a quantia (R$ 58,4 bilhões) destinada à área de abrangência do BNB, que pega o Nordeste e o norte dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Nesta terça-feira (30), o presidente do BNB, Paulo Câmara, destacou os resultados operacionais alcançados pela instituição em 2023.
“As contratações representam um aumento de 27% em relação ao exercício anterior e evidenciam a confiança dos empreendedores em investir na região. Esses números refletem nosso compromisso com o desenvolvimento regional e a promoção de iniciativas que impulsionam todos os setores da economia”, destacou o executivo.
Do total, as operações do FNE totalizaram R$ 43,67 bilhões. Deste montante, R$ 17,78 bilhões foram para o segmento rural, R$ 11,97 bilhões para infraestrutura, R$ 10 bilhões em comércio e serviços e R$ 2,62 bilhões em indústrias. Para o Semiárido, região prioritária da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), o Banco destinou R$ 28 bilhões, correspondendo a 64,19% do total financiado.
Conforme o presidente, o principal objetivo do BNB é de financiar os “pequenos”. “O compromisso do Banco do Nordeste em contribuir com a geração de ocupação e renda em sua área de abrangência foi demonstrado pelos investimentos destinados a micro e pequenas empresas, totalizando R$ 5,82 bilhões, com mais de 44 mil operações de crédito realizadas”, acrescentou Câmara.
Durante 2023, o Crediamigo e o Agroamigo destinaram, juntos, quantia total de R$ 16 bilhões a toda a área de abrangência do BNB. Conforme a presidência da instituição, tal destinação demonstra o foco nos pequenos empreendedores.
IMPACTO ECONÔMICO E GERAÇÃO DE EMPREGO
Paulo Câmara ressalta ainda que, ao impulsionar a economia regional, o Banco do Nordeste contribuiu para a geração e manutenção de 1,9 milhão de empregos, um aumento de R$ 14,31 bilhões na massa salarial e R$ 8,18 bilhões na arrecadação tributária. A estimativa é do Escritório Técnico de Estudos Econômicos (Etene) do BNB.
