O nível da barragem do Rio Cocó, chamada de Barragem do Palmeiras, chegou ao volume mais alto dos últimos 12 meses, 76,54%, segundo consta nos dados da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH). A barragem comporta 3,9 milhões de metros cúbicos (m³). Desde 18 de março de 2024, o reservatório não chegava a um nível tão alto, quando marcou 69,4% de sua capacidade, de 3,54 hm³.
Por meio das redes sociais, o vereador Gabriel Biologia (Psol) fez um alerta aos responsáveis pelo monitoramento do nível da represa, pois existe grande risco de o sangramento afetar moradores dos conjuntos habitacionais Palmeiras, São Cristóvão, Almirante Tamandaré e João Paulo II, todos situados no bairro Jangurussu, na Grande Messejana.
Na manhã deste domingo (2), o parlamentar esteve no local e informou que faltam 53 centímetros para que o nível chegue ao máximo para sangrar.
“A Barragem do Palmeiras, que represa as águas do Rio Cocó, está muito próxima de superar a sua capacidade de contenção das águas. Precisamos de muita atenção voltada para aquela região e sobretudo às comunidades no curso da água, Palmeiras e Jangurussu. Sabemos que chuvas fortes ainda virão e a Cidade precisa estar preparada para o que pode acontecer. Os órgãos de gestão da barragem e amparo às famílias precisam estar alinhados e com um plano de execução rápido e bem organizado, tanto do Município quanto do Estado”, disse Gabriel Biologia no perfil pessoal das redes sociais.
Ainda na postagem, o vereador ressaltou que a barragem está dentro da Unidade de Conservação e de Proteção Integral (UCPI) do Parque do Cocó. “A gestão do impacto ecológico e na biodiversidade também precisa estar em alerta”, salientou o parlamentar.
Em vídeo, Gabriel Biologia lembrou que a barragem sangrou em fevereiro de 2019, início da quadra chuvosa daquele ano, resultando em inundações nos conjuntos habitacionais localizados nas proximidades, sendo que o Palmeiras foi o mais afetado.
FEVEREIRO
O Ceará finalizou o mês de fevereiro com 44,4% das reservas hídricas acumuladas nos açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O número representa uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado, quando o volume era de 37% da capacidade. Até a tarde deste domingo (2), 12 açudes estavam sangrando no Ceará. No mesmo período, em 2024, apenas 9 haviam chegado nessa marca.
O vertimento reflete os aportes registrados em algumas regiões do estado ao longo do mês. O número de reservatórios sangrando é superior ao observado no mesmo período do ano passado, evidenciando um aumento na recarga hídrica de determinados açudes. Apesar das chuvas registradas, os aportes não ocorrem de maneira homogênea em todo o território cearense. O presidente da Cogerh, Yuri Castro, explica que a recarga dos açudes depende de diferentes fatores. “Nem sempre chuva resulta em aportes. As chuvas, mesmo na média ou até acima da média, carecem de constância e precisam cair no lugar certo para gerar escoamento e, consequentemente, aportes”, destaca.
CHUVAS
Na última semana, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgou um novo prognóstico climático de chuvas. Na ocasião, o cenário refere-se às probabilidades esperadas para o trimestre de março a maio. De acordo com o presidente da instituição, Eduardo Sávio Martins, o cenário previsto indica uma probabilidade de 45% para chuvas em torno da média, 30% para precipitações abaixo da média e 25% para chuvas acima da normal climatológica. O prognóstico segue um padrão semelhante ao apresentado em fevereiro para o trimestre de fevereiro a abril.
“O mês de fevereiro ficou conforme a previsão emitida em janeiro, ou seja, com chuvas em torno da normal ou acima dela na porção mais ao norte, enquanto as regiões do interior e do sul do estado apresentaram chuvas abaixo da média”, explicou Eduardo Sávio Martins.
Para os próximos meses, o padrão de distribuição das chuvas no território cearense deve se manter, com maiores volumes na porção norte e condições menos favoráveis para o centro-sul do Estado.
