Coordenador da bancada federal cearense, o deputado Eduardo Bismarck (PDT) visitou a Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, nesta terça-feira, 5, e se reuniu com o provedor daquela unidade de saúde, Vladimir Spinelli. O parlamentar se comprometeu a destinar uma emenda de sua autoria, no ano de 2024, para ajudar no custeio da instituição filantrópica; e a dialogar com os colegas cearenses no Congresso, para sensibilizá-los diante da causa, no sentindo de obter um valor geral a ser repassado.
“Será fundamental este apoio, para que a gente possa contribuir com a saúde cearense”, disse Eduardo Bismarck. O deputado afirmou que a Santa Casa é um patrimônio dos cearenses e que não se pode permitir que atividades da unidade sejam suspensas.
“Assumo o compromisso, enquanto coordenador da bancada, de fazer um trabalho junto aos colegas deputados e senadores, para indicarmos uma boa quantidade de recursos. A partir de outubro daremos início aos debates para definir o orçamento do próximo ano e certamente a Santa Casa será uma das prioridades”, defende. O valor a ser destinado ainda não foi definido.
DÍVIDA MILIONÁRIA
O provedor da Santa Casa de Misericórdia, Vladimir Spinelli, informou que a unidade de saúde deve, aproximadamente, R$ 40 milhões. Segundo ele, prestadores de serviço e fornecedores são os principais credores. Salientou que quase todos os pacientes atendidos na unidade de saúde são oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS) e que, há mais de 20 anos, a tabela não é atualizada, fazendo com que o preço da consukta custe somente 10 reais. Desse valor, 3 reais ficam com a Santa Casa, principalmente porque os valores de outros procedimentos médicos têm valor ainda menor.
Vladimir Spinelli ressalta que o valor repassado à Santa Casa cobre cerca de 60% das despesas. Com isso, mensalmente, o deficit gira em torno de R$ 2 milhões. O acúmulo da dívida, a cada mês, resultou no montante atual de R$ 40 milhões.
Somente à cooperativa de médicos-anestesiologistas (Coopanest) a Santa Casa deve R$ 745 mil. O atraso nos pagamentos resultou na suspensão de todas as cirurgias já marcadas e na não-marcação de novas. O provedor da Santa Casa buscou recursos junto à Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Vladimir Spinelli salienta que a ajuda financeira não soluciona o problema, apenas ameniza. Além disso, o repasse será feito em seis vezes. Ele esperava que o recurso fosse encaminhado de uma só vez.
Em situação normal, são realizadas naquela unidade, em média, 38 cirurgias, que fazem parte da relação de procedimentos acertados, por contrato, com a SMS. Vladimir Spinelli salienta que a não-realização de cirurgias causará forte impacto na produção mensal do hospital, levando em conta que uma das consequências será um faturamento ainda mais baixo, agravando ainda mais a situação financeira da instituição. Outro problema, segundo o provedor, será o prejuízo na formação dos 25 médicos-residentes.
Mesmo com todas as dificuldades, a Santa Casa busca atingir bom nível de excelência. A instituição mantém parcerias com as universidades Estadual do Ceará (Uece), Federal do Ceará (UFC) e de Fortaleza (Unifor), além do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), UniChristus, Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec), Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação (Itic), e Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
