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18 de julho de 2024

Bairros da Regional 6 lideram alta nos preços de supermercados

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De fevereiro de 2021 a março de 2022, preços de alimentos e produtos dos supermercados de Fortaleza sofreram alta de até 817,35%, aponta levantamento do Procon

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

Procon divulgou estudo com aumentos das Regionais de Fortaleza (Foto: Natinho Rodrigues)

De fevereiro de 2021 a março de 2022, os preços dos alimentos e produtos dos supermercados de Fortaleza sofreram alta de até 817,35%. É o que revela um estudo inédito do Departamento Municipal de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon Fortaleza), divulgado nesta quarta-feira, 30.

Para além do aumento geral, o levantamento também trouxe uma grande variação de preços de alimentos e produtos pesquisados pelo órgão em março. Enquanto que na Regional 4, em bairros como Aerolândia, Fátima e Parreão, os produtos somam um preço médio de R$ 600,57, na Regional 6, onde ficam bairros como Cambeba, Cidade dos Funcionários e Messejana, o valor total dos itens nesses ficou em R$ 758,06.

Dos 61 produtos que se repetiram na pesquisa de fevereiro do ano passado e no levantamento de março deste ano, nenhum teve redução de preço. Pelo menos 20 produtos subiram mais de 100%.

O Procon realizou o comparativo com fevereiro do ano passado, pois em março de 2021 não foi realizada pesquisa de campo devido aos cuidados de isolamento social para contenção da Covid-19. Segundo o economista Wandemberg Almeida, existem alguns fatores que acabam influenciando no aumento de muitos produtos dos supermercados, sobretudo, se comparar por regional.

“Temos que levar em consideração toda uma cadeia de produção, mas, para além disso, é preciso observar também onde estão esses supermercados. A variação do preço do metro quadrado e a variação do preço do IPTU dos estabelecimentos. Isso acaba influenciando muito no preço do produto porque esse custo acaba tendo que ser repassado para o consumidor, afinal é o gasto que o supermercado está tendo”, ressalta Almeida.

Além disso, segundo o especialista, existe uma demanda muito alta de produção para o exterior e os produtores não conseguiram atender a necessidade da população uma vez que a maioria deles optou por focar no mercado externo. “A maioria dos produtores preferem o mercado externo, ou seja, exportar mais que importar nesse momento, principalmente com a desvalorização da nossa moeda.”

A crise hídrica de 2021 e o recente aumento dos combustíveis também reforçam o aumento dos preços dos alimentos, segundo o economista. O quilo do mamão subiu oito vezes no período analisado, indo de R$ 0,98 a R$ 8,99, uma variação de 817,35%.

A cenoura também apresentou alta variação em pouco mais de um ano, saindo de R$ 2,99 (kg), em fevereiro do ano passado, para R$ 12,99 (kg), agora em março, ou seja, 334,45% de diferença. Em seguida, o quilo da cebola apresentou variação de 209,36%, no mesmo período, indo de R$ 2,99 para R$ 9,25.

Refrigerantes, arroz e feijão foram os itens que menos variaram de preços no período, subindo respectivamente de R$ 6,99 para R$ 7,99 (14,31%), R$ 4,99 para R$ 5,99 (20,04%) e R$ 6,75 para R$ 8,49 (25,78%). Se tratando de inflação, o professor de economia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Rocha, explica que a economia brasileira vive uma escalada inflacionária, sobretudo, desde 2021.

De acordo com o especialista, quando estamos nesse processo, os preços ficam bastante desalinhados, então, “encontramos em algumas regiões de uma mesma cidade preços subindo numa velocidade maior do que em outras. Muitas vezes os preços que sobem de forma mais elevada em uma determinada região se deve por causa de uma menor oferta de produtos”.

“Cabe destacar ainda que o índice de inflação IPCA é uma média de comportamento de preços. Se você for examinar preços separadamente, poderá verificar, inclusive, altas muito mais expressivas de preços de determinados produtos nas regionais”, acrescenta.

O QUE DIZ O PROCON
Segundo a diretora do Procon Fortaleza, Eneylândia Rabelo, o consumidor pode optar por frutas e legumes da estação, pois a grande oferta desses produtos pode baratear o custo. “Os supermercados são obrigados a cumprir ofertas e promoções. Portanto, o consumidor deve guardar encartes e anúncios e exigir o cumprimento. Outra saída para fugir da alta de preços é comprar em dias de ofertas de carnes, frutas e verduras”, sugeriu Eneylândia.

Quando comparados todos os itens, o menor preço total dos 61 produtos ficou em R$ 542,98, em fevereiro do ano passado, enquanto que em março deste ano, os mesmos produtos somam R$ 971,80, uma variação de 78,98%.
Outro ponto destacado no levantamento são os preços de alimentos básicos do café da manhã do fortalezense, que também apresentam alta variação em pouco mais de um ano.

O pote de margarina, por exemplo, subiu de R$ 3,99, em fevereiro do ano passado, para R$ 9,35, em março deste ano, uma variação de 134,34%. A bandeja de ovos, com 20 unidades, passou de R$ 7,99 para R$ 17,99 (125,16%). Já o pacote de café subiu de R$ 4,19 para R$ 9,39 (124,11%).

O pão francês carioquinha saiu de R$ 12,39 para R$ 16,99 (37,13%). Caso o consumidor opte por uma fruta no café da manhã, o quilo da banana saltou de R$ 2,99 para R$ 6,45 (115,72%).

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