Será realizada nesta segunda-feira (30), às 14h, uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) para discutir o trabalho de cuidado em Fortaleza. No Complexo das Comissões da Casa, o encontro deverá contar com a apresentação de dados inéditos sobre o tema.
A audiência foi proposta pelo deputado estadual Guilherme Sampaio (PT), líder do Governo na Assembleia. Na ocasião, serão apresentados os resultados da pesquisa “O trabalho de cuidado nas comunidades de Fortaleza”, realizada no bairro São João do Tauape.
O estudo revela dados sobre a sobrecarga, falta de apoio e precariedade das condições enfrentadas por quem cuida, exercício que é majoritariamente realizado por mulheres em comunidades periféricas.
A audiência contará com a presença do secretário do Trabalho do Ceará, Vladyson Viana (PT); da coordenadora da Coordenadoria Especial de Políticas para Inclusão (CESPI), da Secretaria de Direitos Humanos, Lídia Lourinho; e da coordenadora geral das Regionais da Saúde (COGERS), Munichy Mendes Carneiro Alves, representando a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
A PESQUISA
A pesquisa foi desenvolvida em parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Secretaria do Trabalho do Estado do Ceará (SET) e a Funcap, por meio do Programa Cientista-Chefe. A professora Ana Maria Fontenele, do Departamento de Teoria Econômica da UFC, está na coordenação da equipe, em conjunto com a cientista-chefe do Trabalho (Funcap/SET-CE), Jacqueline Franco Cavalcante.
O estudo revela, dentre outros dados, que o trabalho de cuidado é, em sua maioria, não remunerado e exercido por mulheres negras, com baixa escolaridade e em condições socioeconômicas precárias. “Essas mulheres dedicam mais de 10 horas diárias ao cuidado de crianças, idosos e pessoas com deficiência, enfrentando sobrecarga física, emocional e ausência de apoio institucional”, afirmou a pesquisadora Jacqueline Franco.
Para Guilherme Sampaio, a pesquisa está servindo de base para proposições de políticas públicas, como o projeto de indicação “Ceará Cuida”, em tramitação na Alece e que sugere a criação de um serviço público de formação para esse público, bem como instrumentos de apoio às cuidadoras.
“Estamos falando de pessoas que garantem, com seu trabalho muitas vezes não reconhecido, que outras possam trabalhar. A pesquisa vem para identificar quem são essas pessoas e como o Estado pode agir concretamente para valorizar aquelas que têm em sua atividade o cuidar do outro”, afirmou.
