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14 de julho de 2024

Artigo: “A Rosa diferente”

Ex-vereadora de Fortaleza, professora e fundadora do movimento Crítica Radical, Rosa da Fonseca faleceu nesta quarta-feira, 1º, aos 73 anos.
Foto: Arquivo Pessoal

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Conheci Rosa da Fonseca bem de perto. Décadas atrás. Sozinha ou com Maria Luiza Fontenele. Quase siamesas. Eram discípulas do Padre Haroldo Coelho e bebiam dos conhecimentos socialistas de Célia Zanetti e de outro mentor, às sombras. Sempre aguerridas, lendo utopias e vivenciando sonhos.

Algumas vezes fez piquetes defronte à minha empresa, com alto-falantes e estilingues com bilas de aço. Nunca reclamei ou reagi. Ao mesmo tempo, procurava-me para as suas costumeiras rifas, das quais sempre participei. Sem pestanejar. Essas rifas não tinham preconceitos. Quase todos compravam.

Ela acompanhou a Maria Luiza quando da expulsão do PT pelos crimes de coerência e de honestidade de propósitos. Foi vereadora incandescente em meio difícil. Fundou, junto com a Maria, a Crítica Radical, mas não ficou nisso. Panfletava, usava megafones e descrevia o novo mundo ideal.

Anos, muito depois, compraram uma faixa de terra em interior próximo e decidiram que lá seria uma fazenda produtiva e acolhedora. Nada a ver com a da “Revolução dos Bichos”, a distopia de George Orwell. Para que os sonhos vivessem pensavam em tudo. A nossa última parceria foi acolher uma Exposição de Pintores de estilos diferentes, a quem ela e Maria pediram quadros para vender no Shopping Benfica.

Não práticas e nem muito organizadas, a mostra aconteceu com a renda toda para elas, não a almejada, para a “fazenda”. Morava aqui no bairro do Benfica e já na terra adusta que amainava e recebia tratos para ser exemplo de uma nova e sonhada realidade. Mostrava fotos.

Sofrida, aguerrida e persistente perde a luta para o câncer. Fica viva para as suas hostes, sua família, sua legião(que foi minguando)de seguidores e para a história real de Fortaleza esse exemplo de vida espartana, destemor e de acreditar em sonhos, mesmo mergulhada em dores.

Deus a acolha.

Texto do empresário João Soares Neto.

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