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18 de julho de 2024

Após envolvimento de chefe da GSI, governo Lula apoiará CPMI do 8 de janeiro

O novo entendimento do governo é de que, apesar de considerar satisfatório o inquérito que corre no Supremo, a possibilidade de envolvimento de membros do GSI nas invasões requer o endurecimento das investigações
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), disse que o Governo apoiará a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os atentados golpistas de 8 de janeiro. A ação acontece após o vazamento de gravações que mostram o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, interagindo com invasores durante os ataques.

“Nós seremos primeiros a indicar os membros da nova CPMI”, afirmou Guimarães durante coletiva de imprensa nessa quarta-feira, 19. “Nós queremos uma apuração ampla, geral e restrita. Doe em quem doer. Ninguém brinca com a democracia. Ninguém brinca com eles, como eles patrocinaram algo naquele naquele episódio do dia 8. Portanto, se o Congresso quiser instalar a CPI, nós estamos prontos para ajudar, inclusive para investigar”, disse.

O novo entendimento do Governo é de que, apesar de considerar satisfatório o ritmo de investigação que correm no Supremo Tribunal Federal (STF), a possibilidade de envolvimento de membros do GSI nas invasões requer o endurecimento das investigações.

Anteriormente, questionado pelo OPINIÃO CE, o líder do Governo disse em nota que considerava que as autoridades competentes da Justiça já estavam “cumprindo um bom papel na investigação desse fato”. “Há vários investigados e punidos pelos atos criminosos do dia 08/01. Por isso uma CPMI agora não teria necessidade, pois foge dos objetivos de uma CPMI ou CPI. Caso seja instalada, quem tem que temer essa CPMI é quem patrocinou e influenciou esses atos de barbárie”, reiterou o parlamentar.

REQUERIMENTO

O requerimento para abertura da investigação é de autoria do deputado federal André Fernandes (PL-CE) e já conta com assinaturas válidas de pelo menos 218 deputados e 37 senadores, de acordo com o relatório mais recente obtido pelo OPINIÃO CE. O número já é suficiente para instaurar a comissão.  André Fernandes foi procurado pela reportagem via assessoria, mas não retornou até o fechamento da matéria.

A leitura do requerimento para investigar os atos antidemocráticos de 8 de janeiro estava prevista para acontecer na última terça-feira, 18, mas foi adiada para a próxima quarta-feira, 26, pelo presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD). Segundo o parlamentar, a decisão ocorreu após pedido dos governistas para que aguardasse o projeto de lei que garante o pagamento do piso da enfermagem, assinado pelo presidente Lula (PT) no mesmo dia.

Em plenário, o senador cearense Eduardo Girão (Novo) criticou a decisão, que, segundo ele, se tratou de uma “manobra” do Governo para obstruir a investigação. “Na verdade, nós fomos enganados. O Governo teve tempo para a retirada de assinaturas, concedido com esses adiamentos sucessivos aqui da Presidência do Senado, que hoje se presta ao papel de ser um puxadinho também do Governo Federal. Para mim, por várias situações, demonstrou ser um puxadinho do Supremo Tribunal Federal, mas hoje o Senado se apequenou de uma forma que eu nunca vi, criticou o senador.

O líder governista no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede), frisou que há um compromisso do Governo para que, na próxima sessão, haja a leitura do requerimento. “Seria totalmente impróprio realizar uma sessão do Congresso Nacional no dia de hoje [18] e, na semana que vem, a nova sessão para votar o PLN da enfermagem. É por essas notórias razões que, a pedido da Maioria, o presidente do Congresso adiou a sessão. De nossa parte, da parte do Governo, há acordo para que a sessão seja inaugurada e aberta com a leitura de quaisquer requerimentos que estejam pendentes e, na sequência, com a deliberação sobre os vetos que foram acordados”, garantiu o líder, após a reunião.

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