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17 de julho de 2024

A procura pela essência

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Entre as notícias midiáticas – que fazem leituras de fatos e cenários – as estatísticas turísticas sempre têm espaço. O Brasil é lindo, culturalmente excêntrico e potencialmente rico em natureza. Que os olhos do mundo sempre estiveram voltados para o Brasil turístico não é novidade. Mas tem um tempo que os próprios brasileiros passaram a descobrir e a desvendar sua terra mãe. O comportamento teve repercussão econômica. Viajar para alguns destinos nacionais pode ser bem mais caro do que seguir além mar, rumo ao estrangeiro.

Mas o que teria provocado essa mudança de comportamento? Essa explosão turística nacional? O “mercado das malas” entendeu que os viajantes estão querendo origens, beleza bruta. As grandes selvas de pedras têm seus encantos e atrações mil, mas elas não suprem a necessidade de introspecção e resgate. Só a natureza tem esse poder.

Levantamento do Ministério do Turismo, divulgado aqui no Opinião, destacando o crescente interesse pelo Turismo de Natureza, revelou que 17 milhões de pessoas visitaram unidades de conservação federais em 2021. O número é o maior registrado em 5 anos e mantém crescimento mesmo no cenário pandêmico. O Parque nacional de Jericoacoara, no Ceará, foi o 3º mais visitado em 2021. 1,7 milhões de pessoas escolheram Jeri como destino.

Mantenho aqui a reflexão proposta. O homem quer respirar, sentir sua essência, quer contato com a natureza. É uma leitura de fácil compreensão e de amplo alcance. A evolução que passa pelos nossos olhos na velocidade da luz – ou superior a ela – faz com que seja necessário buscar o caminho de volta. É o equilíbrio inquietante que o ser humano traz consigo, impresso nos instintos mais primitivos.

O setor turístico já enxergou isso. O mercado imobiliário também. Os serviços oferecem cartelas ecológicas. O poder público entendeu que é preciso inserir as áreas de conservação na rotina turística. Isso é possível e faz parte do processo. Mas a responsabilidade ambiental precisa ser assumida. Apesar da evolução, a maioria dos visitantes ainda não aprendeu o básico: o dever de preservar.

A mesma natureza que serve precisa ser respeitada. E se esse respeito não acontece, a conta chega, e é alta. Aquecimento global, secas, enchentes, tempestades, vendavais, ataques de animais e outros tantos acontecimentos que sinalizam um pedido claro de socorro. Precisamos aprender a evoluir junto com o mundo e a regredir quando necessário.

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