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21 de julho de 2024

A Estação das Artes Belchior tem História

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Foto: José Wagner/Tatiana Fortes/Governo do Estado

Quarta, dia 30, eu fui prestigiar a entrega do equipamento, Estação das Artes Belchior (Estação professor João Felipe) convidado pelo amigo e secretário Ronaldo Borges. Devo confessar que ao chegar fiquei muito emocionado com o acabamento, a aparência e a ambientação, mas também pela memória afetiva do lugar, pois, por ali, ainda criança, passeava com meu pai. Depois, como professor, o equipamento passou a ter outros sentidos.

Em verdade, perdi a conta das visitas técnicas com os alunos até 2014, quando a estação foi fechada para a iniciação das obras do metrô. O processo de remodelação social e urbano da nossa Cidade teve início a partir de 1860, com a riqueza da cotonicultura. Então, Fortaleza passou a vivenciar, passou a sentir aquela “consciência” de “civilidade” europeia, aquele ar de Paris.

Para tanto, era preciso “civilizar” o povo cearense, edificar os equipamentos e remodelar a Capital. Daí, a criação do Lazareto da Lagoa Funda, da Santa Casa de Misericórdia, da criação da Academia Francesa do Ceará, da iluminação a gás, do plano urbanístico de Adolfo Herbster e da construção de um novo cemitério, o São João Batista.

Para o historiador cearense, Sebastião Ponte: “A edificação do cemitério, São João Batista (1872), em local mais afastado (Jacarecanga), inscreve-se como mais uma investida medicalizadora sobre a cidade. Sua construção justificou-se pela pressão médica de suprimir a necrópole anterior, o São Casimiro, que comprometia o estado sanitário urbano por achar-se muito próximo a (atual Praça da Estação) do perímetro central da cidade.”

Pois é: o cemitério São Casimiro já existia antes mesmo da Praça Castro Carreiro – era ao lado da estação e já havia sepultado as vítimas da epidemia de cólera. Assim, a elite da belle époque se apropriou do São Batista. Não à toa, encontram-se as edificações de refinados túmulos e suas esculturas importadas.

Em 1873, a Estrada de Ferro Baturité foi inaugurada, possibilitando o transporte do “ouro branco”, o algodão para o deleite daquela elite, mas também favorecendo a locomoção da população e a consolidação do poder econômico de Fortaleza.

Contudo, a seca de 1877-78 e a peste de varíola devastaram a Cidade. Em 1879, com o fim da seca e da varíola, segundo Ponte: “A população pôde voltar a sorrir e ser convidada a passear por dois “presentes” dados à cidade, e que causaram sensação – os bondes e o Passeio Público.”

Sim, os nossos espaços de memória do Centro, têm muita história para contar sobre a Cidade. É: mas, para ser viabilizado, a Estação das Artes Belchior tem quer pulsar cultura com exposições permanentes de artes. Parabéns pelos que tiveram a iniciativa. Viva a História e a Cultura Cearense!

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