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16 de julho de 2024

A CONMEBOL é cúmplice do racismo no futebol sul-americano

Foto: Reprodução/Internet

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A campanha vacilante de duas derrotas do Fortaleza nesta Libertadores da América ficou em segundo plano com as imagens escabrosas flagradas no Monumental de Nuñes, nesta quarta-feira, 13. Mais uma vez, como infelizmente tem sido comum em competições da CONMEBOL, gestos racistas foram registrados em um estádio de futebol. Dessa vez, um apoiador do River Plate jogou uma banana na direção da torcida tricolor. 

Chega a ser cansativo escrever sobre a mesma coisa todos os anos, mas é a nossa obrigação trazer luz a esse cenário criminoso de desumanidade. Mas sabe o porquê de seguirmos vendo esse tipo de cena nas arquibancadas e até dentro de campo? Além da amarga e evidente mazela cultural, as entidades que gerem o futebol seguem praticamente inertes ao cenário. Tratando-se da CONMEBOL, então, a impunidade e a incompetência para coibir esse tipo de comportamento já são de conhecimento público. 

Em 2018, também na Libertadores, a torcida do Boca Juniors imitou macacos em direção aos torcedores palmeirenses que compareceram à La Bombonera. No mesmo ano, em São Januário, torcedores do Racing, também da Argentina, atiraram bananas em direção aos torcedores do Vasco. Nos dois casos, nenhuma punição. Em 2014, no Peru, torcedores do Real Garcilaso imitaram sons de macacos quando o então meia do Cruzeiro, Tinga, pegava na bola. A punição? Apenas U$$ 12 mil. Mais nada. 

A frouxidão da entidade máxima do futebol sul-americano não se dá só em casos de racismo, mas em vários outros absurdos, como agressões a jogadores e torcedores, e até evidências de manipulação de resultados (Carlos Amarilla e Boca Juniors que o digam). 

No caso do jogo entre River Plate e Fortaleza, a conivência da CONMEBOL a transforma em cúmplice desse tipo de crime. A falta de medidas mais efetivas de punição, com eventuais perdas de mando de campo, de pontos e exclusão permanente de quem pratica racismo das arquibancadas em jogos de competições da entidade, deixam os criminosos na zona de conforto e na certeza da impunidade. 

As autoridades argentinas também precisam ser cobradas. As imagens estão aí, são claras e evidentes. O autor do crime vai ser preso ou no futebol se pode tudo? Mas, sobre essa parte, eu deixo para os juristas. O fato é que as arquibancadas não podem ser terra sem lei, seja das autoridades jurídicas ou das entidades organizadoras dos eventos esportivos. O caso de racismo no Monumental pode ser uma excelente oportunidade para a CONMEBOL agir com dureza, fazer servir de exemplo e mostrar que não aceita mais ser cúmplice do racismo que permeia suas competições. 

Os clubes brasileiros e a CBF precisam se unir, deixar a rivalidade de lado e cobrar, com força, uma medida enérgica dos líderes do futebol sul-americano. Não dá mais para aceitar tamanho absurdo. E, em caso de não haver uma punição rigorosa, que as equipes brasileiras boicotem a Libertadores, a Sul-Americana e qualquer outra competição que seja organizada por quem passa a mão na cabeça de quem acredita ter o direito de insultar cor da pele, orientação sexual, religião ou qualquer característica particular de quem quer que seja. É hora de subir o tom e cobrar de verdade, não apenas de fazer postagem de repúdio em redes sociais com uma nova hashtag.

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