O presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Joacy Alves Júnior, conhecido como Juju, atribui ao aumento dos cachês artísticos o principal motivo para o cancelamento do Carnaval em diversas cidades cearenses. A avaliação do gestor destaca que não houve determinação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) nem do Poder Judiciário para suspender eventos.
A explicação do dirigente municipal considera a lógica de mercado como fator decisivo para a elevação dos valores. “Se você tem centenas de cidades procurando as mesmas atrações, a lei da oferta e da procura acaba inflacionando os preços”, ressalta.
Na semana passada, uma entrevista concedida ao UOL trouxe exemplos concretos de cancelamentos no Estado. Os prefeitos de Tauá, na região dos Inhamuns; Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF); e Jaguaretama, no Vale do Jaguaribe, optaram pela suspensão das festas. “Outros municípios reduziram a duração dos eventos”, frisou.
CUSTOS ALTOS
Os reajustes registrados em contratos artísticos ultrapassaram, em alguns casos, o percentual de 100% em comparação ao ano anterior. A diferença de preços, segundo o presidente da entidade, tornou inviável a manutenção das programações tradicionais.
A exemplificação apresentada por Juju reforça o cenário de encarecimento acelerado. “Tem banda que era R$ 100 mil em 2025 e agora quer cobrar R$ 200 mil, R$ 300 mil. Há casos de até R$ 800 mil. Não há como pagar“, disse ao portal.
O impacto financeiro não deve se limitar ao Carnaval, conforme avaliação do representante dos prefeitos. A preocupação também envolve as festas juninas nordestinas, consideradas eventos culturais de grande porte e relevância econômica semelhante.
FATORES DIVERSOS
A análise do dirigente aponta múltiplos elementos que contribuem para o aumento considerado abusivo. Entre eles, aparece o crescimento do número de eventos financiados com recursos públicos.
Projetos aprovados junto ao Ministério do Turismo (MTur) e ao Ministério da Cultura (MinC) integram esse contexto, segundo o presidente da Aprece. O uso de emendas parlamentares para custear apresentações artísticas também foi citado como fator de pressão sobre os preços.
A defesa de equilíbrio entre valorização cultural e responsabilidade fiscal aparece como ponto central da manifestação. A articulação entre entidades municipalistas do Nordeste surge como proposta para estabelecer parâmetros compatíveis com a realidade econômica das cidades.
GASTOS PÚBLICOS
O posicionamento do dirigente também menciona a necessidade de diálogo integrado entre estados para evitar uma escalada inflacionária. “É preciso garantir transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos”, salienta.
Dados divulgados pelo Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE) indicam que as prefeituras cearenses destinaram R$ 76,7 milhões às festas de Carnaval. O levantamento apresenta valores elevados pagos a artistas de projeção nacional.
Entre os maiores cachês, aparecem Leo Santana, com R$ 1,5 milhão em Aracati; Wesley Safadão, com R$ 1,3 milhão em Paracuru; e Luan Santana, também com R$ 1,3 milhão. Na mesma cidade do Litoral Leste, Daniela Mercury recebeu R$ 1,1 milhão.
O documento aponta ainda faturamento expressivo de outros artistas nacionais durante o período carnavalesco. Natanzinho Lima somou R$ 5,9 milhões em sete apresentações, enquanto Henry Freitas recebeu R$ 4,2 milhões por seis shows.
A lista inclui também o grupo baiano É o Tchan, com R$ 3,6 milhões em seis apresentações, e Taty Girl, que faturou R$ 3,2 milhões em oito eventos realizados no Ceará.
