No texto, a Frente reconhece a liberdade artística como direito constitucional, mas ressalta que a liberdade religiosa também é garantia fundamental. “Quando manifestações culturais alcançam ampla repercussão pública, especialmente quando há envolvimento de recursos públicos, cresce igualmente a responsabilidade sobre a forma como crenças, princípios e valores são retratados”, diz trecho da nota.
O colegiado afirma ainda que a fé cristã integra a identidade histórica e social do Brasil e que representações que possam ser interpretadas como desqualificação ou ridicularização dessas convicções não contribuem para o ambiente democrático. Segundo a nota, “há indícios de que o desfile tenha ultrapassado os limites estabelecidos pela legislação ao tratar de convicções religiosas”, e a Frente informou que cobrará a atuação dos órgãos competentes para apuração dos fatos e eventual responsabilização, caso sejam confirmadas irregularidades.
O documento conclui destacando o compromisso com o “equilíbrio institucional, com o diálogo e com a defesa da dignidade humana e dos valores que sustentam a convivência democrática”.
Entenda o caso
A polêmica teve origem em uma ala do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (15), na Marquês de Sapucaí. A alegoria retratou a chamada “família tradicional”, representada por um casal heterossexual com filhos, dentro de uma lata de conserva. Na mesma composição, também apareceram figuras associadas a evangélicos, militares e mulheres brancas.
A cena provocou reação imediata de parlamentares e lideranças ligadas a pautas conservadoras. As críticas se concentraram na avaliação de que a encenação teria ultrapassado o campo da sátira social e atingido a fé cristã.
Após o desfile, parlamentares de oposição passaram a publicar, nas redes sociais, ilustrações de famílias estampadas em latas de conserva, em uma nova tendência digital. Muitos utilizaram ferramentas de inteligência artificial para a produção das imagens.
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, Sóstenes Cavalcante, publicou uma das ilustrações acompanhada da mensagem: “Conservador por Jesus Cristo”. Já o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, também divulgou imagem semelhante e afirmou que “a esquerda zomba da família, alicerce do Brasil, e evidencia a perda da sintonia com o povo que trabalha, crê em Deus e educa seus filhos”. O episódio ampliou o debate nas redes sociais e no meio político sobre os limites entre liberdade artística, crítica social e respeito às convicções religiosas.
