Voltar à Série C do Campeonato Brasileiro em 2026 é a meta central da atual gestão do Ferroviário Atlético Clube. O objetivo, tratado como prioridade estratégica, foi reafirmado pelo presidente Rodger Raniery em entrevista exclusiva ao Opinião CE. “Nosso principal objetivo em 2026 é subir para a Série C. Voltar para onde o Ferroviário nunca deveria ter saído”, declarou.
Eleito para o triênio 2025-2028, Raniery assumiu oficialmente a presidência em 1º de dezembro e reconhece a dimensão do desafio.
“São meses desafiadores. O Ferroviário todo dia tem problema. Resolve um e aparecem três. Mas estamos tendo sucesso nesse pouco tempo de gestão”, avaliou.
Com trajetória construída nas arquibancadas e nos bastidores administrativos, ele sustenta que o momento exige estabilidade institucional e foco no desempenho esportivo.
Boa parte da entrevista foi dedicada à Sociedade Anônima do Futebol (SAF), tema que ainda divide opiniões entre torcedores. Em assembleia realizada em fevereiro, foi aprovada a venda de 90% das ações da SAF ao Grupo Makes, que passou a gerir o futebol masculino, feminino e as categorias de base. O patrimônio físico do clube, incluindo a Vila Olímpica Elzir Cabral, permaneceu sob posse do associativo, com cessão de uso à SAF por 20 anos.
Raniery reconhece que o modelo não é consenso. “Quando é algo negocial, que envolve valores, logicamente vai ter pessoas que não vão concordar. Uma parte da torcida não concordou com a SAF”, afirmou. Segundo ele, quando o projeto foi estruturado, apenas uma proposta formal foi apresentada. “Foi a única empresa que apareceu. A gestão passada entendeu que aquilo era bom para o clube e vendeu 90% das ações da SAF”, explicou.
Diante disso, reforça que cabe ao clube associativo fiscalizar o cumprimento das cláusulas. “Nos resta, como associativo, cobrar essas garantias e essas obrigações. Estamos cobrando diariamente os compromissos contratuais. Faltam algumas obrigações serem cumpridas, mas estamos recebendo resultados”, disse.
Obras no CT devem começar após o Carnaval
Entre as garantias cobradas pela diretoria estão as intervenções estruturais no Centro de Treinamento. Segundo o presidente, o clube já recebeu a sinalização de que as obras terão início logo após o Carnaval. “Estamos recebendo informações de que algumas garantias vão ter início agora. As obras do CT devem começar após o Carnaval, e estamos cobrando muito isso”, afirmou.
Ele acrescenta que há outras obrigações contratuais em execução, inclusive relacionadas a investimentos operacionais e despesas estruturais.
O contrato da SAF estabelece investimento mínimo anual no futebol pelos próximos dez anos, com valores escalonados conforme a divisão disputada: R$ 10 milhões na Série D, R$ 15 milhões na Série C, R$ 25 milhões na Série B e R$ 50 milhões na Série A. Sobre o piso de R$ 10 milhões na Série D, Raniery rebate críticas de que o montante já seria alcançado naturalmente pelo clube.
“Muitos torcedores falam: ‘Ah, R$ 10 milhões o Ferroviário já ganhava’. E não é assim. Para ganhar isso, teria que ter sucesso em campo, avançar em competições. Dependia do campo”, ponderou.
Segundo ele, a diferença do modelo atual é a garantia contratual do aporte. “Hoje o Ferroviário tem no mínimo R$ 10 milhões para começar o ano. Se ganhar isso em campo, ótimo. Mas, se não ganhar, eles vão ter que tirar do bolso. Esse orçamento mínimo faz com que a SAF invista em um bom elenco”, destacou.
Para o dirigente, o êxito do modelo está diretamente condicionado ao desempenho esportivo. “Essa SAF só vai crescer se o Ferroviário tiver sucesso em campo”, concluiu, reafirmando que a prioridade da gestão é garantir estabilidade administrativa, fortalecer as categorias de base e recolocar o clube no cenário nacional com o acesso à Série C em 2026.
