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Energia eólica responde por 71% da matriz elétrica do Ceará e consolida liderança das renováveis

A energia eólica é a principal fonte de geração de eletricidade no Ceará, respondendo por 71% da matriz elétrica estadual. Os dados são de 2023 e constam no Balanço Energético Nacional (BEN 2024), apresentados no Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Ceará (IEGEE-CE) nesta quarta-feira (11), na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).

A energia solar aparece na sequência, com 25% da geração elétrica no Estado, consolidando o protagonismo das fontes renováveis no sistema cearense. O documento aponta ainda que, em 2021, houve crescimento de 60% na geração total de energia no Ceará em relação ao ano anterior. No contexto regional, a energia eólica também lidera no Nordeste, com 55% da geração elétrica, seguida pela hidrelétrica (22%) e solar (11%). Já no cenário nacional, a matriz elétrica permanece majoritariamente hidrelétrica, com 57%, enquanto a eólica representa 13% e a solar, 7%.

Queda do carvão

O levantamento destaca que a geração de energia a partir do carvão mineral teve papel relevante até 2021, quando alcançou 5.880 GWh no Ceará. No entanto, houve redução expressiva nos anos seguintes: 12 GWh em 2022 e 169 GWh em 2023, tornando a fonte praticamente irrelevante na matriz estadual.

O movimento acompanha a tendência nacional. Em 2022, o Brasil registrou redução significativa da geração por fontes fósseis, impulsionada por condições climáticas favoráveis à hidreletricidade e pela expansão das fontes eólica e solar. Pela primeira vez, a geração eólica superou a térmica no País. Segundo o IEMA (2023), o cenário contribuiu para uma redução aproximada de 68% das emissões associadas à geração de energia elétrica no Brasil.

Documento servirá de base para Plano de Ação Climática do Estado. Foto: Reprodução/Sema

Consumo cresce 24% em cinco anos

Em 2023, o consumo total de energia elétrica no Ceará chegou a 13.027.256 MWh. O setor residencial liderou, com 41,5% da demanda. Em seguida aparecem os setores comercial (18%), industrial (17,8%) e público (13,3%). Os setores rural (9,3%) e próprio (0,2%) tiveram participações menores.

Dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) mostram que, entre 2018 e 2023, o consumo variou de 11.575.659 MWh para 13.027.256 MWh, enquanto o número de consumidores aumentou de 3.543.521 para 4.406.218 – crescimento de aproximadamente 24%. Após expansão entre 2018 e 2019 e leve retração em 2020, houve retomada a partir de 2021.

No consumo de derivados de petróleo, o óleo diesel totalizou cerca de 1,14 bilhão de litros em 2023, com 90,39% destinados ao transporte. O óleo combustível registrou consumo de 2,14 milhões de litros, sendo 54,76% utilizados pela indústria. O GLP alcançou 289,4 milhões de quilos, com 87,5% direcionados ao setor residencial. Já o consumo de gás natural somou aproximadamente 21,15 milhões de metros cúbicos, com predominância do setor industrial (62,5%), seguido por comércio e serviços (20,3%), residencial (11,4%) e cogeração (5,9%).

Inventário climático

O IEGEE-CE abrange o período de 2018 a 2023 e sistematiza dados sobre emissões e remoções de gases de efeito estufa no território cearense. Durante a solenidade de apresentação, a secretária do Meio Ambiente e Mudança Climática, Vilma Freire, destacou o significado do documento.

Este inventário é um marco para o Ceará. Em um cenário desafiador, especialmente no semiárido nordestino, ele atende à Política Estadual sobre Mudanças Climáticas e aos compromissos do Governo do Estado com as agendas climáticas nacionais e internacionais”, afirmou.

A secretária agradeceu ao ICLEI pela consultoria técnica e mencionou o apoio do governador Elmano de Freitas (PT). “Agradeço ao governador, que sempre confiou em nosso trabalho e nos apoiou na formulação de políticas públicas inovadoras.” Rodrigo Perpétuo, secretário executivo adjunto e diretor do ICLEI Brasil, ressaltou que a entrega ocorre em momento estratégico, com o Brasil assumindo a presidência da COP30. “A governança foi fundamental. A transparência é crucial, pois este documento deve ser apropriado por todos: academia, indústria, governo e sociedade civil”, declarou.

Segundo ele, o inventário funciona como diagnóstico inicial para a conformidade climática do Estado, subsidiando a identificação de riscos e vulnerabilidades e a elaboração de um Plano de Ação Climática.