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Ciro no Cariri: entenda o tom e os recados dados pela oposição para as Eleições de 2026

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) começou um movimento de oposição no Ceará por Juazeiro do Norte, no Cariri, uma das regiões mais simbólicas do Interior. Mesmo distante de Fortaleza, com dinâmica econômica, social e política própria, o Cariri tem um eixo urbano robusto formado por Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha.

O objetivo de mirar a região do Padre Cícero é ganhar musculatura política para além da Região Metropolitana. Além disso, há um recado ao grupo que hoje comanda o Estado. O Cariri é o berço político de Camilo Santana, principal liderança do PT no Ceará e figura central do projeto governista de Elmano de Freitas para a reeleição.

Durante a passagem por Juazeiro do Norte, o ex-ministro e ex-governador do Ceará disse que vive uma “briga” interna entre a razão e a emoção para definir se será ou não candidato ao Governo do Ceará. “É o começo de uma caminhada que, no fim, vai dar uma decisão se eu sou candidato ou não. Mas antes eu tenho que conversar, e a conversa é aqui dentro, porque tem uma briga: meu juízo dizendo pra eu não ser candidato e meu coração já todo balançado para eu ser candidato”, disse Ciro, durante o encontro entre apoiadores.

Antes da solenidade, o ex-ministro destacou o protagonismo político da região e defendeu que qualquer projeto de oposição passe, necessariamente, pela escuta das lideranças regionais. “O que eu estou agora, com entusiasmo, é ajudando a construir um movimento de libertação do Ceará, que vai ter que aterrissar numa chapa. E qualquer chapa que queira realmente representar bem o Ceará vai ter que ouvir as lideranças do Cariri”, declarou.

Ciro posou para foto com Glêdson Bezerra (Podemos), prefeito do Cariri, em frente à imagem do Padre Cícero, principal cartão-postal da região. Em discurso, Glêdson adotou tom firma de apoio ao tucanos. “Eu quero um estado que olhe para frente, que tenha competência, honestidade e que faça com que o Ceará volte a crescer. Que gere emprego, renda, desenvolvimento. Isso não é favor político para ninguém”.

Tom político

O presidente estadual do União Brasil, Capitão Wagner, também fez um apelo público para que o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes dispute novamente o Governo do Ceará. A declaração foi dada durante sessão solene na Câmara Municipal que homenageou o tucano. Ao destacar a importância das políticas educacionais implementadas por Ciro durante sua gestão na década de 1990, Wagner relatou que conseguiu cursar o ensino técnico e ser aprovado em concursos públicos graças às oportunidades proporcionadas pela gestão do ex-ministro.

O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes chamou atenção ao bater continência para Wagner. Ao cumprimentá-lo, Ciro se referiu ao aliado como “meu senador”, em alusão à pré-candidatura do ex-deputado a uma vaga no Senado. Capitão Wagner repercutiu o momento: “Unidos pelo resgate do Ceará! Chegou a hora da mudança”. A cena, no entanto, gerou reação de adversários políticos. O chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Chagas Vieira, criticou a aproximação e relembrou embates anteriores entre os dois. “Prestando continência para quem chamava de miliciano e picareta”, escreveu, nas redes sociais, ao resgatar declarações de Ciro em embates contra Wagner.

Discurso no Cariri

O deputado estadual Alcides Fernandes (PL) defendeu uma guinada política no Ceará. O parlamentar utilizou seu discurso para sugerir o nome de Ciro Gomes como o condutor de um processo de renovação para o Estado. O ex-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cândido Albuquerque, foi outro que formalizou seu apoio ao projeto político de Ciro. O discurso foi marcado por duras críticas à gestão do Partido dos Trabalhadores (PT), no âmbito estadual e federal.