A Capcom começa a revelar, na prática, o que os fãs podem esperar de Resident Evil Requiem. Em uma sessão de testes a convite do estúdio, o gerente de Comunicação de Conteúdo da Sony Interactive Entertainment, Tim Turi, jogou por algumas horas o novo título da franquia, ambientado no hospital Rhodes Hill e com o retorno de Leon S. Kennedy como personagem jogável – algo que não acontecia desde sua confirmação oficial, em dezembro.
A proposta central do jogo passa pela dualidade entre seus protagonistas. De um lado, Grace Ashcroft; do outro, um Leon mais experiente, marcado por décadas de enfrentamento ao bioterrorismo. Segundo a Capcom, a ideia é oferecer experiências complementares, mas claramente distintas. Enquanto Grace protagoniza seções focadas em evasão, quebra-cabeças e gerenciamento rigoroso de recursos, Leon assume o papel do combatente experiente, com fases orientadas à ação intensa e ao controle improvisado de multidões, em clara referência ao que consagrou Resident Evil 4.
O equilíbrio buscado pelo estúdio mistura o terror mais contido e opressivo de Resident Evil 2 com a ação frenética do quarto título da série. Para o diretor Kōshi Nakanishi, esse contraste também passa pela construção psicológica do personagem. “Leon luta contra riscos biológicos desde RE2. São quase 30 anos dedicados a isso. Ele viu sacrifícios, tragédias e não conseguiu salvar todos. Esse peso aparece na aparência e na personalidade dele em Requiem”, afirmou.
Um Leon mais pesado, mas ainda irônico
Em Resident Evil Requiem, Leon surge mais velho, com voz mais rouca e postura visivelmente mais cansada, mas sem perder a irreverência característica. Diante de um médico infectado empunhando uma motosserra, o agente reage com humor seco: “Quero uma segunda opinião”. A frase resume bem o equilíbrio entre desgaste emocional e carisma que a Capcom tenta preservar.
No combate, Leon conta com um arsenal variado. A pistola Alligator Snapper e a espingarda de ação por bombeamento MSBG 500 retornam com destaque, além de acessórios que reduzem recuo e facilitam a precisão. Diferentemente de Grace, Leon também tem acesso exclusivo a granadas de mão, fundamentais para enfrentar grupos maiores de inimigos.
As armas seguem o padrão já conhecido pelos fãs, com estatísticas como Poder, Estabilidade, Precisão, Cadência de Tiro, Velocidade de Recarga e Capacidade de Munição. O sistema de aprimoramento, segundo a Capcom, será funcionalmente semelhante ao remake de Resident Evil 4, embora detalhes ainda não tenham sido divulgados.

Revólver Requiem e inventário clássico
Entre as novidades, um dos destaques é o revólver que dá nome ao jogo. O “Requiem” apresenta alto poder de perfuração, compensado por uma capacidade reduzida de munição. Na demonstração, a arma foi capaz de eliminar um inimigo de grande porte com um único disparo certeiro. “O título Requiem remete não só ao incidente de Raccoon City, mas às pessoas afetadas por ele. A arma também traz, de certa forma, a paz aos inimigos”, explicou Nakanishi.
O gerenciamento de inventário reforça as diferenças entre os protagonistas. Leon utiliza uma maleta em grade 7×10, semelhante à de RE4, permitindo organizar e rotacionar itens livremente. Já Grace começa com apenas oito espaços disponíveis, exigindo idas frequentes aos baús de armazenamento e maior planejamento.
Machado substitui a faca
Outra mudança simbólica está no combate corpo a corpo. Leon abandona a tradicional faca e passa a usar um machado. A nova arma causa mais dano, permite aparar golpes com precisão e pode ser afiada sempre que perde eficiência – sem risco de quebrar. Fora do combate, o machado também serve para abrir portas e armários inacessíveis a Grace, ampliando as possibilidades de exploração.
“O machado é uma forma de mostrar que Leon tem muito mais experiência do que nos jogos anteriores”, destacou o diretor. O equipamento também possibilita eliminações furtivas e ataques carregados, capazes de desestabilizar inimigos mais resistentes.
Brutalidade e poder de fogo
A demonstração reforçou a superioridade de Leon em confrontos diretos. Inimigos que se mostraram letais para Grace, como o ágil Cabeça de Bolhas, foram neutralizados rapidamente com tiros de espingarda e golpes de machado. Contra Chunk, uma criatura gigantesca coberta por camadas de carne, a estratégia mudou completamente: enquanto a fuga era a única opção para Grace, Leon conseguiu atordoá-lo e finalizá-lo com força bruta.
As motosserras, elemento clássico da franquia desde Resident Evil 4, também retornam em destaque. Leon pode aparar ataques dessas armas e, ao derrotar inimigos, utilizá-las temporariamente contra hordas de infectados – uma experiência descrita como catártica, embora arriscada, já que as lâminas continuam perigosas mesmo no chão.
Com Resident Evil Requiem, a Capcom sinaliza uma tentativa clara de unir legado e renovação: um Leon mais pesado emocionalmente, mas no auge da eficiência em combate, e uma narrativa que alterna terror psicológico e ação visceral para manter a franquia relevante e imprevisível.
