Em movimento para fortalecer a relação com o Congresso Nacional de olho no cenário político de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu, na noite desta quarta-feira (06), uma reunião informal com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes da base governista na Casa. O encontro, que durou cerca de três horas, aconteceu na Granja do Torto, residência oficial de campo da Presidência da República, em Brasília.
Durante a confraternização, Lula agradeceu o apoio recebido do Legislativo ao longo de 2025 e demonstrou confiança na condução das votações previstas para o próximo ano. Segundo o líder do Governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), o presidente também confirmou que pretende disputar a reeleição.
“Lula agradeceu por tudo que aprovamos em 2025 e falou da confiança nas votações de 2026. Ele também tratou da disputa eleitoral deste ano, dizendo que tem muita convicção da vitória”, declarou Guimarães.
A reunião contou ainda com a presença de líderes de partidos do Centrão, como PP e União Brasil, além de representantes do Podemos, PSD, MDB, PSB, PDT, PSOL, Avante, Solidariedade, PRD, PV, Rede Sustentabilidade e PCdoB.
Pelo Governo Federal, participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais).
Clima do encontro
De acordo com informações do Valor Econômico, o clima do encontro foi marcado mais pela descontração do que por discussões objetivas sobre a pauta legislativa.
Para iniciar a conversa, Lula pediu que fosse tocada a música “Disparada”, de Geraldo Vandré, eternizada na voz de Jair Rodrigues. Ao parafrasear o primeiro verso da canção, o presidente convidou os deputados a “abrirem o coração” para ouvi-lo.
Na sequência, Lula adotou um tom pessoal, relembrando episódios de sua trajetória política e convivência com adversários históricos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Ele ficou contando histórias da vida, muito despreocupado com política ou com a pauta da Câmara”, relatou um parlamentar ao jornal.
O jantar teve como prato principal o pirarucu, peixe típico da região amazônica. Ainda segundo os participantes, Lula evitou fazer cobranças diretas ou apresentar demandas legislativas aos deputados presentes.
O presidente também fez gestos públicos de aproximação a Hugo Motta. Em determinado momento, solidarizou-se com os “momentos difíceis” enfrentados pelo comando da Câmara, lembrando que também já passou por situações semelhantes, e afirmou que sua mão está “estendida” ao deputado paraibano.
O aceno ocorre meses após Motta enfrentar episódios de tensão no plenário, com ocupações forçadas da tribuna por parlamentares bolsonaristas e de esquerda, em ocasiões distintas, o que gerou debates sobre o enfraquecimento da presidência da Casa.
Em resposta, Hugo Motta adotou um discurso descrito como fraterno, porém protocolar, sinalizando disposição para colaborar com o governo federal nesta reta final de mandato. A troca de gentilezas reforçou, entre alguns presentes, a percepção de um alinhamento político visando as eleições de 2026.
“Se eu pudesse apostar, diria que Motta já escolheu seu lado. A fala do Lula para ele foi de quem já está afinado”, afirmou um parlamentar, sob condição de anonimato, ao Valor Econômico.
