O hospital de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Lankien, no estado de Jonglei, no Sudão do Sul, foi atingido por um ataque aéreo das forças do governo na noite de terça-feira (3). Um integrante da equipe de MSF sofreu ferimentos leves, enquanto o armazém principal da unidade foi destruído e a maior parte dos suprimentos médicos foi perdida.
A unidade de saúde de MSF em Pieri, também em Jonglei, foi saqueada na tarde do mesmo dia por pessoas não identificadas. Os profissionais que atuavam em Lankien e Pieri fugiram junto com a comunidade, e o paradeiro deles permanece desconhecido. A organização tenta restabelecer a comunicação com as equipes.
O hospital de Lankien havia sido evacuado e os pacientes receberam alta horas antes do ataque, diante do aumento das tensões e após MSF receber informações sobre um possível bombardeio à cidade.
“O MSF compartilhou as coordenadas de GPS de todas as suas instalações com o governo e outras partes envolvidas no conflito, e recebeu a confirmação de que eles estavam cientes das localizações. As forças armadas do governo do Sudão do Sul são a única parte armada com capacidade para realizar ataques aéreos no país. Por outro lado, o centro de saúde de MSF em Pieri foi saqueado horas antes do bombardeio do hospital de Lankien, tornando-o inutilizável para a comunidade local”, denuncia Gul Badshah, coordenador de operações de MSF.
A organização era a única responsável pela oferta de cuidados de saúde a cerca de 250 mil pessoas em Lankien e Pieri. Com os ataques, as comunidades passam a ficar sem qualquer tipo de atendimento médico.
IMPACTOS
O bombardeio ocorreu após restrições ao acesso humanitário impostas pelo governo do Sudão do Sul em algumas áreas controladas pela oposição no estado de Jonglei, o que limita a capacidade da organização de prestar assistência médica essencial.
“Dado o contexto atual, tomaremos as decisões necessárias para proteger a segurança dos nossos profissionais e das nossas instalações de saúde no Sudão do Sul. Embora estejamos cientes das enormes necessidades da população, consideramos inaceitável ser alvo de ataques. O MSF está presente há 43 anos no Sudão do Sul e, durante este período, tratamos milhões de pacientes em diferentes estados e regiões do país”, ressalta Gul Badshah.
HISTÓRICO
Essas restrições podem ter consequências particularmente graves para crianças, mulheres grávidas e pessoas que vivem com doenças crônicas ou potencialmente fatais.
Em 2025, MSF sofreu oito ataques direcionados, o que forçou o encerramento das atividades em dois hospitais na região da Grande Nilo Superior e a suspensão de atendimentos em Jonglei, no Nilo Superior e na Equatoria Central.
Presente no Sudão do Sul desde 1983, MSF segue como uma das maiores organizações médico-humanitárias daquele país, com atuação em sete estados e duas áreas administrativas.
ATUAÇÃO
Somente em 2025, a organização ofereceu mais de 830 mil consultas ambulatórias e cuidados hospitalares a mais de 93 mil pacientes, incluindo 12 mil cirurgias.
Também foram examinadas 107 mil crianças para diagnóstico de desnutrição, além da realização de encaminhamentos críticos em todo o território sul-sudanês.
