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Evandro não descarta novo contingenciamento; Prefeitura ainda avalia fechamento das contas

Foto: Felipe Barreto/Opinião CE

O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), afirmou que a gestão municipal não descarta a adoção de um novo contingenciamento de gastos em 2026, a exemplo do que foi feito no ano passado. Segundo o gestor, a decisão dependerá do fechamento das contas e da avaliação do cenário fiscal da Prefeitura, processo que deve ser concluído até o próximo dia 20 de fevereiro.

“Não descarto essa possibilidade. Estamos avaliando para fechar as contas. A gestão pública exige avaliação permanente. Não podemos achar que, pelo que foi feito no ano passado, está tudo resolvido. Conseguimos avançar, mas seguimos com cautela”, afirmou o prefeito, ao comentar a situação financeira do Município.

Evandro destacou que houve avanços na organização fiscal da Prefeitura, com expectativa de melhora na capacidade de investimento, sobretudo a partir da concretização de operações de crédito já autorizadas pela Câmara Municipal. No entanto, fez questão de esclarecer que a aprovação legislativa não significa a liberação imediata dos recursos. “Quando a Câmara aprova uma operação de crédito, isso é apenas uma etapa. Não quer dizer que no outro dia o dinheiro esteja na conta”, ressaltou.

De acordo com o prefeito, entre cinco e sete operações de crédito foram aprovadas pelo Legislativo no ano passado, mas apenas a do BNDES avançou de forma mais concreta, ainda assim sem que os recursos tenham sido efetivamente creditados. “Estamos na fase final, que é a assinatura do contrato. O dinheiro ainda não caiu. É importante esclarecer isso para não se criar a ideia de que a Prefeitura já pegou vários empréstimos”, explicou.

Evandro citou negociações em andamento com instituições como Banco do Brasil, Banco Mundial, CAF e o próprio BNDES. Segundo ele, somente após a conclusão de todas as etapas formais será possível contar com esses recursos para viabilizar novos investimentos.

“Ano extremamente desafiador”

Evandro classificou 2025 como um ano “extremamente desafiador” para a gestão municipal e disse que o período foi marcado por um esforço de superação fiscal. Segundo o prefeito, a atual administração assumiu a Prefeitura de Fortaleza com cerca de R$ 1 bilhão em dívidas com fornecedores, distribuídas entre diversas áreas da gestão. Desse total, R$ 508 milhões correspondiam apenas a débitos da área da saúde.

De acordo com o gestor, a situação financeira crítica atingia inclusive autarquias municipais. Ele citou, como exemplos, dívidas registradas na AMC e no Instituto Dr. José Frota (IJF), além de outros órgãos da administração indireta. “Era um cenário de comprometimento generalizado das finanças do Município”, avaliou.

Apesar das dificuldades, Evandro afirmou que a Prefeitura conseguiu encerrar 2025 em um patamar mais estável, após a adoção de medidas de ajuste e contenção de gastos. Segundo ele, esse processo permitiu à gestão se preparar para recuperar a capacidade de investimento do Município. “Foi um ano duro, mas necessário para reorganizar a casa”, disse.

O prefeito afirmou ainda que Fortaleza está próxima de recuperar a classificação Capag B – indicador que mede a capacidade de pagamento dos entes federativos e é fundamental para a contratação de empréstimos com garantia da União. Segundo Evandro, a Prefeitura aguarda o posicionamento final dos órgãos federais responsáveis pela avaliação, com expectativa de que a reclassificação ocorra ainda em 2026.

Com a retomada da Capag B, Evandro destacou que o Município poderá ampliar sua capacidade de investimento, especialmente por meio da captação de recursos via operações de crédito. “Isso nos dá fôlego para voltar a investir e viabilizar projetos estruturantes para a cidade”, concluiu.

A reunião aconteceu nesta sexta-feira (30). Foto: Felipe Barreto/Opinião CE

Passivo na saúde

Na área da saúde, o prefeito afirmou que a atual gestão já quitou cerca de R$ 350 milhões de um passivo de R$ 508 milhões herdado da administração anterior. Ele disse que os números finais do balanço de 2025 ainda estão sendo fechados, mas destacou o impacto das medidas de austeridade adotadas no último ano. “Cortar na própria carne não é fácil. Tivemos que tomar decisões duras, como a redução de cerca de 3 mil servidores terceirizados, o corte de gratificações e a diminuição de aproximadamente 25% dos cargos comissionados”, pontuou.

O contingenciamento adotado em 2025 foi formalizado por meio de decreto que entrou em vigor em 15 de janeiro e teve como objetivo gerar uma economia de até R$ 500 milhões. Entre as medidas implementadas estiveram a redução de salários de autoridades, suspensão de contratos e licitações não essenciais, cortes em gratificações, diárias e horas extras, além da diminuição de gastos com servidores terceirizados, comissionados e contratos com organizações sociais.

Desde a transição de governo, Evandro Leitão tem alertado para a situação fiscal do Município. Segundo o prefeito, a atual gestão herdou quase R$ 2 bilhões em dívidas da administração anterior, além de problemas relacionados à transparência das contas públicas. Diante desse cenário, ele reforça que a possibilidade de um novo contingenciamento permanece na mesa, caso seja considerada necessária para garantir o equilíbrio financeiro da Prefeitura.

Primeira reunião do ano

Os detalhes foram dados em evento que marca a primeira reunião do prefeito Evandro Leitão (PT) com seu secretariado de 2026, nesta sexta-feira (30). No momento, a gestão apresentou os resultados de 2025, incluindo os compromissos de campanha já entregues à população. O encontro também terá a apresentação das ações prioritárias das secretarias municipais para este ano. O prefeito conduziu as apresentações com foco na gestão compartilhada do Município, com a interação dos projetos municipais entre si e com outros entes como o Governo do Estado, Governo Federal, setor produtivo e sociedade civil.

“Será um ano de ampliação e aprimoração das nossas ações, contando com parcerias estratégicas e sensibilizando a gestão e outros entes para termos cada vez mais entregas humanizadas e inclusivas, seja na educação, na saúde, na infraestrutura, enfim, em todas as nossas áreas de atuação”, destacou Evandro.

Com colaboração de Felipe Barreto.