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Ex-árbitro cearense Dacildo Mourão critica VAR no Brasil e diz que modelo é “inoperante”

O ex-árbitro cearense Dacildo Mourão fez duras críticas ao uso do árbitro de vídeo (VAR) no futebol brasileiro. Em entrevista concedida a Serginho Amizade, no programa Resenha com Serginho, ele afirmou que o modelo adotado no País “tem que acabar” e classificou o sistema como inoperante diante da realidade e da cultura do futebol nacional. Dacildo é reconhecido como um dos maiores expoentes da arbitragem cearense – foi o primeiro do Estado a utilizar o escudo da Fifa.

“O VAR no Brasil tem que acabar. Esse modelo aí é totalmente inoperante para nós. Por quê? Devido à nossa cultura”, afirmou. Para Dacildo, o principal problema está na escolha dos profissionais que atuam no VAR, feita, segundo ele, sem critérios técnicos e de experiência em grandes jogos.

O ex-árbitro também criticou diretamente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “A CBF, em vez de colocar pessoas capacitadas, que já apitaram jogos importantes, colocou amigos. É como um prefeito que bota um secretário de esporte que nunca chutou uma bola”, comparou.

Dacildo Mourão destacou que a função do árbitro de vídeo exige a mesma capacidade de decisão de quem está dentro de campo, o que, segundo ele, não é respeitado no atual modelo. “Para o VAR é tão difícil discernir numa tela quanto apitar dentro do campo. Aí como é que você pega um pessoal que não teve êxito dentro do campo e bota para decidir no vídeo?”, questionou.

Em tom ainda mais crítico, ele afirmou que a maioria dos profissionais que atuam hoje no VAR no Brasil não tem histórico relevante na arbitragem de alto nível. “Eu digo isso há muito tempo: o VAR do Brasil é o mais incompetente do mundo. Noventa por cento desse pessoal nunca apitou um jogo bom”, disparou.

Contexto de mudanças na arbitragem

As declarações de Dacildo ocorrem em meio ao anúncio da CBF sobre o primeiro modelo de profissionalização da arbitragem nacional. A entidade lançou, na terça-feira (27), um programa que prevê a contratação, por temporada, de equipes fixas para atuar na Série A do Campeonato Brasileiro, com salários mensais, bônus por desempenho e suporte técnico, psicológico e físico.

Ao todo, 72 profissionais integram a primeira fase do programa, incluindo árbitros centrais, assistentes e árbitros de vídeo (VAR). O investimento previsto é de R$ 195 milhões para o biênio 2026–2027, com início oficial das contratações em março. Apesar do novo modelo, Dacildo mantém o discurso de que a base do problema está na formação e na experiência prática dos árbitros, especialmente no uso do VAR.

Relato de racismo e firmeza em campo

Durante a entrevista, o ex-árbitro também relembrou um episódio marcante de sua carreira, ocorrido em um jogo entre América de Natal e Vasco da Gama, pela Série A, em 1996. Na ocasião, ele expulsou o atacante Edmundo após aplicar dois cartões amarelos.

“Amarelo com amarelo é vermelho”, resumiu. Segundo Dacildo, após a expulsão, o jogador fez um comentário preconceituoso em entrevista à televisão. “Ele disse: ‘Como é que a gente vem jogar aqui na Paraíba e botam Paraíba para apitar?’”, relatou, lembrando a forma pejorativa como nordestinos eram chamados à época.

Para Dacildo, o episódio reforça a importância da autoridade e da experiência do árbitro em campo. “Ele já estava expulso. O vermelho já estava dado”, concluiu. As declarações do ex-árbitro reacendem o debate sobre o VAR, a profissionalização da arbitragem e os desafios históricos enfrentados pelos árbitros brasileiros dentro e fora das quatro linhas.