A secretária da Juventude do Ceará, Adelita Monteiro (Psol), defendeu a construção de frentes amplas como estratégia central para enfrentar a extrema-direita no Brasil e no mundo. A avaliação foi feita durante entrevista exclusiva ao videocast Questão de Opinião, do Opinião CE, disponível no YouTube. Uma das fundadoras do Psol no Ceará, Adelita também abordou o papel do Estado na promoção da equidade social e detalhou ações do Governo voltadas à juventude, especialmente nas periferias.
Ao comentar o debate interno sobre pré-candidaturas e disputas eleitorais, Adelita afirmou que a prioridade, neste momento, não é o lançamento de nomes próprios, mas a unidade política. Segundo ela, a articulação de uma frente ampla contra a extrema-direita é um movimento que extrapola o Ceará e se impõe como necessidade histórica. “Derrotar a extrema-direita é uma questão de sobrevivência”, afirmou, destacando que divergências com governos progressistas existem, mas não podem se sobrepor ao objetivo maior de preservar a democracia.
A secretária ressaltou ainda que, mesmo que existam críticas pontuais às gestões de Lula e do governador Elmano de Freitas (PT), a política exige construção possível e alianças estratégicas. Para Adelita, o avanço da extrema-direita está longe de ser superado e exige união de forças no campo democrático.
“A construção de uma frente ampla contra a extrema-direita é um movimento nacional. Não há, inclusive, um direcionamento nacional para o lançamento de candidaturas aos governos. No Psol, um grupo tem, legitimamente, o direito de lançar uma pré-candidatura, mas isso não representa um movimento nacional. O que eu defendo é que estamos vivendo uma realidade em que é preciso unir forças contra uma extrema-direita que está longe de estar morta”.
No fim de dezembro de 2025, o Psol Ceará anunciou que terá candidatura própria ao Governo do Estado nas eleições de 2026. O nome definido pelo partido é o do professor Jarir Pereira, integrante da executiva estadual da legenda, dirigente do Sindicato Apeoc e professor da rede estadual de ensino há mais de 10 anos. A definição ocorreu durante reunião do diretório estadual e foi comunicada oficialmente por meio de nota assinada pelo presidente estadual do Psol, Alexandre Uchôa.
O anúncio marca uma mudança de posição em relação ao último pleito estadual. Em 2022, o Psol chegou a lançar a pré-candidatura de Adelita Monteiro ao Governo do Ceará. Após negociações políticas, no entanto, a legenda optou por apoiar a candidatura do então governador eleito Elmano de Freitas (PT).
Após as eleições, Adelita Monteiro passou a integrar a gestão estadual como secretária da Juventude. À época, o PSOL ressaltou que a entrada da filiada no governo não se tratava de uma indicação partidária, mas de uma decisão pessoal. Adelita discorda da posição. “É claro que existem divergências com governos, tanto com o governo Lula quanto com o governo estadual, porque as coisas não são exatamente como gostaríamos. A política se faz com as condições que existem para alcançar os resultados desejados. No Brasil e em outras partes do mundo, têm sido construídas frentes amplas para derrotar a extrema-direita”.
Defesa do Estado e crítica ao discurso liberal
Outro ponto central da entrevista foi a defesa do papel do Estado como garantidor de direitos. Adelita criticou o discurso que aponta o “Estado grande” como problema e associou essa visão ao privilégio social. “Quando alguém diz que o Estado tem que diminuir, geralmente é porque nunca precisou dele”, afirmou.
Com trajetória pessoal marcada pela periferia de Fortaleza, no bairro Bom Jardim, Adelita lembrou que é filha de uma agricultora e de um motorista e que toda sua família dependeu historicamente dos serviços públicos. “Passei a vida inteira usando o SUS. Plano de saúde só agora”, relatou. Para ela, a crítica ao investimento em políticas públicas, como saúde e educação, costuma partir de quem pode pagar por serviços privados. “Precisamos garantir equidade”, defendeu.

Juventude, cultura e oportunidade
Na área da juventude, Adelita destacou a implementação de um projeto que deve atender cerca de 2 mil jovens engajados em ações de transformação social em suas comunidades. Segundo a secretária, a iniciativa reconhece e fortalece atividades culturais, esportivas e educacionais já desenvolvidas pelos próprios jovens.
Grupos de capoeira, teatro comunitário, jornal escolar, aulas de balé, batalhas de rima, coletivos de K-pop e outras expressões juvenis estão entre as ações contempladas. Para Adelita, incentivar essas vocações é uma forma concreta de ampliar horizontes e afastar jovens de contextos de violência. “A gente precisa garantir a oportunidade para que esse jovem possa sonhar”, afirmou.
