Fortaleza registrou 224 casos de hanseníase ao longo de 2025. Apesar de ainda demandar atenção da rede de saúde, o número representa uma redução de 28% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 313 diagnósticos. A doença, que tem cura e tratamento totalmente gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segue como foco das ações da Prefeitura de Fortaleza, especialmente durante o Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre o tema.
“Eu não conhecia a doença, então foi um susto quando tive o resultado do diagnóstico positivo. A médica do posto disse que eu estava com hanseníase.” O relato é da moradora Maria de Jesus de Lima, de 48 anos. Ela procurou atendimento após perceber uma mancha avermelhada na pele e, após avaliação dermatológica e neurológica, teve o diagnóstico confirmado.
Com orientação da equipe médica, Maria iniciou o tratamento imediatamente. A transmissão da hanseníase ocorre por meio de contato próximo e prolongado com pessoas infectadas, principalmente por espirros, tosse e fala. A identificação da doença é feita por exames clínicos, que avaliam alterações na pele e perda ou mudança de sensibilidade.
Mesmo após a cura, Maria segue em acompanhamento na unidade de saúde. Os filhos dela também realizaram teste rápido, foram diagnosticados e tratados pela Rede Municipal de Saúde. Hoje, todos estão curados. Durante o tratamento, no entanto, ela relata ter enfrentado o preconceito. “Eu só saía durante a noite e ia à igreja. Quando a médica disse que eu estava curada, depois de fazer todo o tratamento, foi uma satisfação muito grande”, conta.
Atendimento na rede municipal
A Prefeitura de Fortaleza oferta atendimento gratuito para casos suspeitos de hanseníase nos 134 postos de saúde da Capital. Conforme a Secretaria Municipal da Saúde, a estratégia para 2026 é ampliar o diagnóstico precoce, considerado fundamental para interromper a transmissão e evitar sequelas.
Segundo o coordenador da Atenção Primária à Saúde de Fortaleza, Erlemus Soares, as ações realizadas durante o Janeiro Roxo estão alinhadas à promoção do acesso universal à saúde. “A busca pelo exame e a análise adequada da doença são fundamentais para alcançar a cura. A partir do início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença”, destaca.
Janeiro Roxo e conscientização
Janeiro é oficialmente reconhecido pelo Ministério da Saúde como o mês de enfrentamento à hanseníase. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em 2025, o Brasil foi o segundo país com maior número de novos diagnósticos da doença no mundo.
Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Entre os sintomas mais comuns estão manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas, nódulos pelo corpo, dormência, formigamento, fisgadas e perda de sensibilidade.
A auxiliar de laboratório Claudia de Sousa Lima, do posto de saúde Hélio Góes, no bairro Sapiranga, explica que, quando há necessidade de exame complementar, o paciente não deve estar em jejum. “Pelo contrário, precisa estar bem alimentado. Muitos não sabem disso e acabam passando mal. Aqui orientamos e acolhemos o paciente para que a coleta seja feita da melhor forma possível”, afirma.
O encaminhamento para exames laboratoriais é realizado após consulta médica na unidade de saúde. Identificados sinais como manchas, lesões ou alteração de sensibilidade, o profissional direciona o paciente para a coleta, garantindo o diagnóstico e o início rápido do tratamento.
