O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, nesta terça-feira (27), R$ 1,1 bilhão em investimentos em projetos firmados com o Governo do Ceará, a Prefeitura de Fortaleza e o setor privado. O anúncio foi realizado durante solenidade no Palácio da Abolição, com a presença do presidente do banco, Aloizio Mercadante, do governador Elmano de Freitas (PT), do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), além de outras autoridades.
No âmbito municipal, Fortaleza será contemplada com R$ 250 milhões em crédito destinados a obras de segurança hídrica, drenagem urbana, pavimentação de vias e urbanização de lagoas. Segundo a Prefeitura, todas as 12 regionais da Capital serão beneficiadas com intervenções estruturantes.
“São investimentos em segurança hídrica, drenagem e tecnologia, o que demonstra a importância da atuação conjunta entre o Governo Federal, o Governo do Estado e o Governo Municipal para trazer benefícios relevantes à população cearense”, destacou o governador Elmano de Freitas.
De acordo com a gestão municipal, os recursos devem alcançar 71 áreas com histórico recorrente de alagamentos e inundações, beneficiando diretamente cerca de 524 mil pessoas. O prefeito Evandro Leitão afirmou que o diagnóstico da administração identificou a deficiência no escoamento das águas pluviais como um problema generalizado na cidade. Em 2025, segundo ele, todos os 121 bairros de Fortaleza foram visitados pela Prefeitura.
“Não adianta pavimentar sem fazer drenagem. É preciso tornar as obras eficientes e respeitar os recursos públicos”, afirmou o prefeito. Elmano também ressaltou que os investimentos priorizam bairros da periferia, contribuindo para a preservação das lagoas urbanas, a melhoria da qualidade de vida da população e a redução de problemas como o esgoto a céu aberto. O governador defendeu ainda a integração entre a Prefeitura e a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) nas obras de drenagem. “Ao abrir uma vala para drenagem, é fundamental que, se necessário, já se faça também a rede de esgoto”, pontuou.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, detalhou os principais projetos contemplados. “O primeiro é o Eixão das Águas, que vai dobrar o volume de água transportada e garantir mais segurança hídrica no futuro. O segundo é o projeto de macrodrenagem e pavimentação integrada, especialmente nas áreas mais carentes de Fortaleza. Já o data center é um investimento voltado para o futuro”, explicou.
Segurança hídrica
Com financiamento de R$ 622 milhões do BNDES, o Governo do Ceará dará continuidade às obras de duplicação do Eixão das Águas, uma das principais infraestruturas hídricas do Estado. A iniciativa beneficiará cerca de 4 milhões de pessoas – aproximadamente 47% da população cearense – e reforçará o abastecimento na Região Metropolitana de Fortaleza.
Do total contratado, R$ 372,6 milhões são oriundos do programa Invest Impacto 2, enquanto R$ 250 milhões provêm do Novo Fundo Clima. Com 255 quilômetros de extensão, o Eixão das Águas integra o sistema que transporta água do Açude Castanhão até a Região Metropolitana. Parte das obras deve ser concluída em setembro de 2026, com entrega total prevista até o fim do mesmo ano.
“Não há segurança hídrica sem infraestrutura hídrica. Hoje temos cerca de 800 trabalhadores e mais de 300 máquinas atuando na obra, que já ultrapassou 51% de execução”, afirmou o secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, Fernando Santana (PT).
Data Center
O pacote de investimentos inclui ainda a aprovação de financiamento de R$ 233 milhões para a Tecto Data Centers, do grupo V.tal, destinado à expansão do data center Mega Lobster, em Fortaleza. O valor corresponde a cerca de 40% do investimento total de R$ 550 milhões e será aplicado com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e da linha BNDES Finem.
Em operação desde outubro do ano passado, o Mega Lobster possui atualmente 3 MW de capacidade instalada. A expansão ocorrerá de forma gradual, acompanhando a demanda do mercado, com previsão de atingir 20 MW até dezembro de 2029. Fortaleza foi escolhida pela posição estratégica no ecossistema digital, impulsionada pela concentração de cabos submarinos internacionais.
A expectativa é que as obras gerem cerca de 400 empregos diretos e indiretos e, após a conclusão, mantenham aproximadamente 30 postos de trabalho. “O BNDES tem papel central no apoio à expansão da infraestrutura digital brasileira, fortalecendo a conectividade e a competitividade da economia”, destacou Mercadante.
