Faleceu Volmar Santos, fundador da Coligay, considerada a primeira torcida organizada LGBTQ+ do futebol brasileiro e historicamente ligada ao Grêmio. A informação foi confirmada por familiares. Volmar tornou-se um símbolo de resistência e inclusão ao levar, ainda em 1977, a bandeira da diversidade às arquibancadas, em pleno período da ditadura militar, abrindo caminho para o surgimento de inúmeros coletivos e movimentos que hoje atuam no enfrentamento à homofobia no esporte.
Apaixonado por futebol e torcedor declarado do Grêmio, Volmar construiu uma trajetória marcada pela coragem e pelo ativismo. Além de sua atuação histórica no futebol, teve carreira como comunicador, radialista e colunista social, sendo também uma figura de destaque no Carnaval de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Sua presença em diferentes espaços da vida cultural reforçou o caráter plural de sua militância, sempre associada à defesa do respeito e da liberdade.
Em nota publicada nas redes sociais, o Grêmio lamentou a morte de Volmar Santos e destacou a importância de seu legado. “Seu legado de respeito, diversidade e resistência será lembrado para sempre por todos os tricolores”, escreveu o clube. A manifestação se soma a diversas homenagens feitas por entidades, torcidas organizadas e coletivos LGBTQ+, que ressaltaram o papel histórico do fundador da Coligay na transformação do debate sobre representatividade no futebol brasileiro.
A iniciativa liderada por Volmar ajudou a romper silêncios e estigmas em um ambiente tradicionalmente marcado pela exclusão. Ao ocupar os estádios com orgulho e visibilidade, a Coligay tornou-se referência nacional e internacional, inspirando a criação de torcidas LGBTQ+ e movimentos que hoje atuam na promoção de um futebol mais seguro, plural e livre de preconceitos.
No Ceará, a Vozão Pride, torcida organizada LGBTQIA+ ligada ao Ceará Sporting Club, também se manifestou publicamente sobre a perda. Em nota divulgada nas redes sociais, o coletivo lamentou “profundamente essa perda” e afirmou que dará continuidade ao legado deixado por Volmar Santos, “mantendo viva a luta por respeito e inclusão no futebol”.
