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Acordo Mercosul–União Europeia preocupa Faec por impactos na pecuária leiteira do Ceará

Foto: Ascom Faec

Mesmo em um cenário internacional marcado por restrições comerciais e aumento de tarifas, o agronegócio do Ceará registrou crescimento expressivo nas exportações. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, as vendas externas do setor avançaram cerca de 20%, resultado atribuído à atuação dos produtores rurais cearenses. A declaração foi feita durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (26).

Apesar do desempenho positivo, Amílcar demonstrou preocupação com os possíveis impactos do Acordo Mercosul–União Europeia, especialmente sobre a cadeia da pecuária leiteira, que enfrenta dificuldades no Estado. De acordo com o dirigente, a entrada de produtos lácteos europeus no mercado brasileiro pode agravar a crise vivida pelos produtores locais.

“Mesmo com o tarifaço, a gente cresceu as nossas exportações em quase 20%, graças aos brasileiros e aos cearenses, que foram muito bravos nessa história inteira aqui no Estado do Ceará. Mas nos preocupa a história do Acordo Mercosul–União Europeia, pela pecuária leiteira. Estamos passando uma crise muito grande”, afirmou.

O presidente da Faec destacou que o tema já foi levado à Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que também se posiciona de forma contrária à importação de derivados do leite da Europa. Segundo ele, a principal preocupação está nos subsídios concedidos aos produtores europeus, o que pode gerar concorrência desleal com a produção nacional.

“Hoje mesmo já liguei para a CNA, porque ela é contra, inclusive, trazer alguns produtos de lácteos da Europa para cá, porque a Europa tem subsídios e isso nos preocupa muito”, reforçou.

Apesar das críticas pontuais, Amílcar Silveira avalia que o acordo, de forma geral, pode trazer benefícios ao Brasil e ao Ceará, desde que haja planejamento e atenção às especificidades regionais. Para ele, o avanço nas negociações precisa ser acompanhado de medidas que protejam setores mais sensíveis do agronegócio. “De modo geral, o acordo é positivo para o Brasil e para o Ceará. Nós precisamos avançar no acordo do Mercosul, mas precisamos olhar para o Ceará e fazer o planejamento”, concluiu.

A posição da Faec reforça o debate sobre os efeitos dos acordos internacionais na economia regional e a necessidade de políticas públicas que garantam competitividade e sustentabilidade às cadeias produtivas do interior cearense.

Entrega de propostas à Alece

Na manhã desta segunda-feira (26), a Faec entregou à Assembleia Legislativa do Estado (Alece) um conjunto de 10 propostas legislativas voltadas ao fortalecimento do setor agropecuário e do empreendedorismo no meio rural. A iniciativa busca criar um ambiente mais favorável aos negócios no campo, com foco em segurança jurídica, formalização, modernização regulatória e estímulo à atividade econômica no interior do Estado.

As propostas foram entregues pelo presidente Amílcar Silveira ao presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri (PSB). Ao todo, são 10 sugestões iniciais que, segundo a entidade, têm caráter simbólico e estratégico, abrindo caminho para novos debates e futuras iniciativas legislativas.

“São 10 propostas e elas são simbólicas. Poderão vir outras, mas estamos tentando construir um ambiente adequado para dialogar com a Assembleia Legislativa e com o Governo do Estado, para que a gente possa colaborar e fazer daqui um ambiente melhor para trabalhar”, afirmou Amílcar Silveira, durante entrevista coletiva.

Criação de GT

O presidente da Alece, Romeu Aldigueri, afirmou que a Casa irá criar um grupo de trabalho em conjunto com a Faec para analisar e encaminhar as demandas apresentadas pelo setor agropecuário. A iniciativa, segundo ele, é fruto de um acordo firmado entre o Legislativo estadual e a entidade representativa do agro.

De acordo com Aldigueri, o grupo contará com a participação de deputados que presidem comissões estratégicas da Alece, como a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semiárido, a Comissão de Defesa Agropecuária e a Comissão de Desenvolvimento Econômico. A proposta é garantir uma análise técnica e integrada das sugestões apresentadas pela Faec.

O presidente da Alece informou ainda que o governador Elmano de Freitas será convidado a indicar representantes de secretarias diretamente relacionadas ao tema, como Fazenda, Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Desenvolvimento Agrário. Esses órgãos deverão atuar em conjunto com especialistas e técnicos da Faec na construção de uma matriz de planejamento.

Segundo Aldigueri, o objetivo do grupo de trabalho é identificar normas e ajustes legais que possam ser encaminhados em diferentes prazos, tanto medidas de médio alcance quanto propostas que possam tramitar de forma mais célere nas comissões da Casa. “A ideia é organizar esse planejamento para que a Assembleia possa atuar com eficiência e responsabilidade”, destacou.

Por fim, o presidente da Alece ressaltou que a iniciativa pode servir de referência para outros segmentos da economia cearense. Para ele, o diálogo institucional entre o Parlamento e os setores produtivos é fundamental para a construção de políticas públicas mais eficientes. “Espero, inclusive, que essa iniciativa possa ser adotada por outros setores da atividade econômica do Estado. Isso é muito importante”, concluiu.