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Operação intensifica limpeza na rede de esgoto e prevê ações na Varjota e na Praia do Futuro

Uma das situações que requer mais atenção é o acúmulo de gordura descartada indevidamente na tubulação. Foto: Divulgação/Governo do Ceará

Até o fim de janeiro, o Polo Gastronômico da Varjota e as barracas da Praia do Futuro receberão manutenções preventivas na rede de esgoto, com foco em garantir o pleno funcionamento do sistema e evitar obstruções e extravasamentos. As ações são coordenadas pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), por meio da Ambiental Ceará, parceira na operação e na universalização dos serviços de esgotamento sanitário em Fortaleza.

Somente neste mês de janeiro, as intervenções devem alcançar cerca de 12 quilômetros de rede coletora na Capital. Durante os serviços, as equipes realizam a retirada de resíduos descartados de forma irregular nas tubulações, prática que representa uma das principais causas de sobrecarga do sistema de esgoto urbano.

Bairros como Parangaba, Maraponga, Passaré, Barra do Ceará e Meireles já passaram por manutenções. Regiões com maior fluxo de visitantes, especialmente áreas próximas à rede hoteleira, também foram incluídas no cronograma, em razão do período de férias e do aumento da movimentação na cidade. Para reduzir impactos no trânsito e na rotina da população, os trabalhos são realizados, prioritariamente, no período noturno, após as 23h.

Tecnologia a serviço da prevenção

No Polo Gastronômico da Varjota e na área das barracas da Praia do Futuro, o principal desafio identificado é o acúmulo de gordura descartada indevidamente na rede. Para enfrentar o problema, além das manutenções mecânicas, a Ambiental Ceará tem orientado moradores e empresários sobre o descarte correto de resíduos sólidos e oleosos.

A empresa também passou a utilizar o Free-Flow Block, uma tecnologia biológica ambientalmente segura, composta por bactérias naturais e enzimas capazes de decompor gordura e outros resíduos orgânicos presentes nas tubulações. O uso do produto contribui para a desobstrução da rede e reduz o risco de novos acúmulos.

Em vias onde estão localizados os chamados “coletores-tronco” – grandes tubulações que concentram elevado volume de esgoto – o trabalho preventivo conta ainda com o SeeSnake, um robô de videomonitoramento que permite identificar, com precisão, pontos que exigem maior atenção ou intervenções corretivas na rede coletora.

Uso correto da rede ainda é desafio

O descarte irregular de lixo no sistema de esgotamento sanitário segue como um dos maiores entraves para a manutenção da rede em Fortaleza. Apenas em 2025, mais de 430 toneladas de resíduos sólidos foram retiradas do tratamento preliminar das estações, etapa conhecida como gradeamento. No mesmo período, foram realizadas mais de 71 mil manutenções no sistema de esgoto da Capital, muitas delas motivadas por obstruções causadas pelo descarte inadequado.

Entre os materiais mais encontrados nas tubulações estão restos de alimentos, óleo e gordura, sacolas plásticas, absorventes, cascas e sementes, tecidos, papéis, preservativos, cotonetes, fio dental, embalagens, cabelos, medicamentos, borra de café, cigarros e fraldas.

A Cagece também alerta para a importância de destinar corretamente as águas das chuvas ao sistema de drenagem, e não à rede de esgoto, prática que pode provocar sobrecarga e aumentar a ocorrência de extravasamentos. Em caso de obstruções ou vazamentos, a orientação é que a população entre em contato pelos canais oficiais da companhia, como a Central de Atendimento (0800 275 0195), o aplicativo Cagece App, disponível para Android e iOS, ou pela assistente virtual Gesse, no portal da empresa.

Parceria Público-Privada do esgotamento

A Parceria Público-Privada firmada entre a Cagece e a Ambiental Ceará tem como meta universalizar os serviços de coleta e tratamento de esgoto em 24 municípios das regiões metropolitanas de Fortaleza e do Cariri. O projeto prevê investimentos de R$ 6,5 bilhões, com a meta de atender 90% da população até 2033 e alcançar 95% de cobertura até 2040, beneficiando cerca de 4,3 milhões de cearenses.