Após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, e a recente intervenção no Will Bank, nesta quarta-feira (21), cresceu a preocupação de clientes e investidores em relação à segurança dos bancos digitais. Desde o caso do Master, ao menos seis instituições financeiras sofreram ações diretas do Banco Central, reacendendo o debate sobre riscos, garantias e critérios para escolha de onde aplicar recursos.
Apesar do impacto das notícias, a maioria dos investidores tende a ser ressarcida por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege aplicações em caso de falência bancária. O fundo cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição, abrangendo produtos como CDB, LCI, LCA, além de depósitos em conta-corrente e poupança. Valores acima desse limite, no entanto, ficam sujeitos à disponibilidade de recursos da massa liquidada.
Segundo o economista Pedro Loula, o primeiro passo antes de investir é verificar se o produto e a instituição contam com a cobertura do FGC. “A consulta pode ser feita diretamente no site do fundo. Ele é formado por contribuições de todos os bancos e foi criado após a crise bancária que se seguiu ao Plano Real, em 1994”, explica.
A liquidação do Banco Master, de acordo com estimativas do mercado, deve representar a maior operação de resgate da história do FGC, com valores que podem chegar a R$ 47 bilhões. O reembolso aos clientes do Will Bank integra esse montante, já que a fintech fazia parte do mesmo grupo econômico.
Bancos digitais e tamanho da instituição
Para Loula, o fato de uma instituição ser digital não significa, por si só, maior fragilidade. “O Nubank e o Banco Inter, por exemplo, são bancos muito grandes. Apesar de serem digitais, têm estrutura robusta e, no caso do Nubank, presença internacional. Isso não elimina totalmente o risco, mas muda o patamar da análise”, avalia.
Ele pondera, contudo, que mesmo aplicações protegidas pelo FGC podem gerar transtornos. “Se você aplicou em um CDB e o banco quebra, o dinheiro volta, mas você passa por um período de espera. Isso gera dor de cabeça, preocupação e angústia para muita gente”, afirma. Já investimentos como Tesouro Direto não contam com a cobertura do fundo, embora tenham outra lógica de proteção.
Indicadores de saúde financeira
Entre os principais critérios técnicos para avaliar a solidez de um banco, o economista destaca o Índice de Basileia, que mede a relação entre o capital próprio da instituição e o volume de recursos captados e expostos a risco. “O índice mínimo exigido pelo Banco Central é de 11%. Hoje, o Nubank tem cerca de 15% e o Banco Inter, 17%, o que indica uma margem de segurança maior”, detalha.
No caso dos títulos públicos, Loula ressalta que o investidor não corre o risco de perder o patrimônio mesmo que a instituição financeira enfrente problemas. “Se você tem Tesouro Direto custodiado em um banco digital ou corretora e essa instituição quebrar, seus títulos continuam seguros. Eles estão registrados na B3, em seu nome e CPF, e não no balanço do banco”, explica.
Alerta ao investidor
O economista também faz um alerta sobre a relação com gerentes e recomendações de produtos. “O gerente do banco não é seu amigo, ele é amigo do emprego dele. Muitas vezes vai indicar CDBs, títulos de capitalização ou aplicações que o banco precisa para bater meta. Nesses casos, o dinheiro fica na mão da instituição e, se ela quebra, o risco existe”, conclui. Diante de um cenário de maior instabilidade no sistema financeiro, a recomendação de especialistas é diversificar aplicações, observar limites de garantia e buscar informações técnicas antes de decidir onde investir.
