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“O futebol é feito para tomar riscos”: Bechara analisa meio-campo moderno e defende ousadia no jogo

Em entrevista ao programa “Resenha com Serginho”, do Opinião CE, apresentado por Serginho Amizade, o ex-jogador de Ceará e Fortaleza, Bechara, fez críticas ao futebol atual, especialmente ao comportamento de meio-campistas que evitam passes mais arriscados. “Fico revoltado quando vejo meio-campo errando o passe com medo de arriscar”, afirmou. Natural de Maranguape, Bechara atuou como volante e teve passagens por Ceará e Fortaleza.

Para o ex-atleta, o futebol exige ousadia. “Passou do meio-campo, vai arriscar, cara”, disse, ao criticar jogadores que se limitam a não avançar no campo. Segundo ele, muitos atuam excessivamente recuados, “com a bunda para trás”, como definiu. Como exemplo positivo, citou o volante italiano Andrea Pirlo, que defendeu clubes como Milan, Inter e Juventus e foi campeão do mundo com a Itália em 2006.

“Há 20 anos, em 2006, ele colocava o time todo para jogar. Os meias eram marcados, sobrava o cabeça de área, ele vinha de trás como homem surpresa, alimentava o ataque e chutava a gol”, relembrou. Bechara avaliou ainda que, no futebol moderno, não há mais espaço para o volante que apenas marca, o chamado “cão de guarda”.

Acolhimento de atletas

Outro tema abordado na entrevista foi a psicologia do esporte e o acolhimento a atletas, especialmente estrangeiros. Bechara defendeu que o cuidado com as famílias dos jogadores tem impacto direto no desempenho dentro de campo.

Ele citou uma palestra da qual participou no Ceará, em que uma psicóloga do clube explicou o processo de acolhimento de atletas estrangeiros. Segundo o ex-jogador, a profissional destacou que o clube se preocupa, por exemplo, em garantir uma boa escola para os filhos dos atletas, como forma de contribuir para a tranquilidade e o rendimento esportivo.

“O atleta vai se sentir tranquilo quando a família já está hospedada na sua casa, com colégio bom e a criança entendendo”, afirmou.

Bechara relatou ainda o caso do filho de um jogador do Ceará, cujo nome não citou, que enfrentou dificuldades de adaptação à escola e ao idioma. Após diálogo com a psicóloga, o clube entrou em contato com a instituição de ensino para desenvolver uma atividade específica com a criança. Depois da adaptação, segundo ele, o atleta conseguiu melhorar o desempenho. “Tirou o peso das costas. Não tem como você jogar bem com problema em casa”, concluiu.

A entrevista, na íntegra, pode ser acessada no canal do Opinião CE no YouTube.