O dia 17 de janeiro de 2021 é marcado pelo início da vacinação contra a covid-19 no Brasil. Após a aprovação do uso emergencial das vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a enfermeira Mônica Calazans tornou-se a primeira brasileira imunizada, em São Paulo.
A campanha nacional começou oficialmente no dia seguinte, com a distribuição de 6 milhões de doses da CoronaVac importadas pelo Instituto Butantan. Poucos dias depois, em 23 de janeiro, o país recebeu mais 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, trazidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Inicialmente, a imunização foi priorizada para profissionais de saúde, idosos, pessoas institucionalizadas e povos indígenas.
A partir de abril de 2021, hospitalizações e mortes entre idosos começaram a cair de forma significativa. Dados do Observatório Covid-19 Brasil indicam que, apenas nos primeiros sete meses da campanha, cerca de 165 mil internações e 58 mil mortes foram evitadas nesse grupo.
Com um ano de vacinação, o Brasil aplicou 339 milhões de doses, alcançando 84% da população. Especialistas estimam que a campanha preveniu 74% dos casos graves e 82% das mortes esperadas, poupando mais de 300 mil vidas.
ATRASOS NA VACINAÇÃO
O mesmo estudo do Observatório Covid-19 Brasil apontou que cerca de 104 mil hospitalizações e até 47 mil mortes poderiam ter sido evitadas se a vacinação tivesse começado mais cedo. As conclusões reforçam críticas feitas pela CPI da Covid-19, que atribuiu ao governo federal da época a responsabilidade por atrasos na compra de vacinas e pela escassez de doses.
“A gente não poderia salvar todo mundo, obviamente, até porque a vacina depende da vontade própria da pessoa, e sempre existiria um grupo que não tomaria o imunizante. Mas a maioria das pessoas queria acesso à vacina, e muitos dos que morreram poderiam ter sido vacinados antes e não conseguiram. Essa falta foi imposta pela própria gestão, que decidiu não comprar ou negociar todos os tipos de vacinas disponíveis”, afirmou a vice-presidente da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico), Paola Falceta.
O relatório final da CPI apontou negligência nas negociações com farmacêuticas e sugeriu o indiciamento de autoridades, incluindo o então presidente da República, Jair Bolsonaro, e os ex-ministros da Saúde Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. Em 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a abertura de um inquérito para apurar os fatos.
