O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) participou, nesta sexta-feira (16), do Café da Oposição, realizado na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), onde se reuniu com parlamentares e lideranças para alinhar uma agenda de mobilização política em torno de propostas para o Estado. O encontro marcou a definição dos primeiros passos de um movimento oposicionista que deve ganhar corpo ao longo de 2026.
Participaram do momento o deputado federal Danilo Forte (União), o ex-candidato a prefeito, Capitão Wagner (União), e os deputados estaduais Felipe Mota (União), Heitor Férrer (União), Sargento Reginauro (União), Cláudio Pinho (PDT), Lucinildo Frota (PDT) e Queiroz Filho (PDT).
De acordo com parlamentares presentes, a agenda inicial prevê eventos no Cariri cearense, seguido por atividades em Fortaleza e, posteriormente, em outras regiões do Estado. A estratégia busca ampliar o diálogo com diferentes territórios e consolidar um discurso de oposição ao grupo político que governa o Ceará há quase duas décadas.
Durante a conversa, Ciro indicou disposição para liderar o processo e chegou a mencionar a composição de uma chapa majoritária com nomes já conhecidos da política estadual. “Esse nosso movimento aqui é de mudança. Vamos juntar todo cearense de boa-fé e, se couber a mim tocar a tarefa de liderar isso, o farei. Mas, até lá, até decidir que essa responsabilidade é minha, está aqui o nosso coletivo. Você deve ver uma chapa comigo, com o Capitão Wagner, com Roberto Cláudio, para compor a chapa majoritária. Temos a outra vaga de senador para compor com outros aliados”, afirmou o ex-ministro.
No início do ano, o deputado federal Danilo Forte confirmou que Ciro Gomes será candidato ao Governo do Ceará em 2026. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar revelou que o ex-ministro solicitou apoio para a elaboração de um plano de governo, com o objetivo de estruturar propostas e diretrizes para a disputa eleitoral.
A iniciativa sinaliza que Ciro trabalha de forma antecipada na construção de um projeto político para voltar a disputar o comando do Estado. A confirmação da candidatura também reforça a antecipação do debate eleitoral no Ceará e tende a intensificar, nos próximos meses, as articulações partidárias e os movimentos de lideranças em torno da sucessão estadual.
Desafio da oposição após quase duas décadas
Com a chegada de 2026, o grupo político que governa o Ceará completa 19 anos consecutivos no poder. Foram oito anos das gestões de Cid Gomes (PSB), oito anos sob o comando de Camilo Santana (PT) e Izolda Cela (PSB), além do atual mandato do governador Elmano de Freitas (PT), que se encerra ao fim deste ano.
Para vencer a eleição, a oposição terá de enfrentar não apenas a estrutura do governo estadual, mas também o peso político do Governo Federal, além de superar indefinições internas. Após quatro tentativas frustradas de chegar à Presidência da República, Ciro Gomes, hoje filiado ao PSDB, volta a ser apontado como principal nome oposicionista para o Palácio da Abolição.
No entanto, o campo da oposição não é homogêneo. Parte do grupo defende uma candidatura mais alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), representada pelo senador Eduardo Girão (Novo), que já lançou sua pré-candidatura ao Governo do Estado.
Avaliação política
Em análise feita ao Opinião CE, o cientista político Emanuel Freitas aponta que a oposição conseguiu protagonizar o debate político no Ceará ao longo de 2025. Segundo ele, o grupo saiu fortalecido do pleito municipal de 2024 e manteve presença constante no noticiário estadual. “Não teve nenhum movimento político do Governo. Teve movimento político da oposição, sendo a aproximação do Ciro com o grupo bolsonarista o mais importante”, avaliou.
Emanuel também aponta que a oposição passou a concentrar suas expectativas quase exclusivamente em torno do ex-ministro. “A oposição escolheu ser dependente do Ciro”, afirmou. O cientista político cita declarações de lideranças como a deputada estadual Dra. Silvana, líder do PL na Alece, que já declarou publicamente que apenas uma candidatura de Ciro Gomes teria competitividade real para enfrentar o grupo governista em 2026.
