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“A liberalização só faz sentido se reduzir desigualdades”, diz Lula sobre acordo Mercosul–UE

Lula se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. (Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República)

Em encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta sexta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou o acordo histórico entre o Mercosul e a União Europeia. “Restaurar a parceria com a União Europeia em novas bases foi uma prioridade desde o início de meu terceiro mandato”, afirmou o chefe do Executivo.

Lula reforçou que a parceria estratégica com o bloco europeu representa uma oportunidade de reduzir as desigualdades e fortalecer o multilateralismo internacional.

A liberalização e a abertura comerciais só fazem sentido se forem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades”, defendeu o presidente brasileiro, lembrando que o acordo encerra um ciclo de mais de 25 anos de negociações entre os dois blocos econômicos.

De acordo com Lula, a assinatura formal do acordo ocorrerá neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, e criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões. A expectativa do governo brasileiro é que o tratado entre em vigor no segundo semestre deste ano.

O presidente ressaltou que o acordo está fundamentado no respeito aos pactos internacionais assumidos pelo Brasil, incluindo compromissos firmados no âmbito das Nações Unidas e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Lula destacou ainda cláusulas voltadas à proteção ambiental, ao enfrentamento das mudanças climáticas, aos direitos dos povos indígenas, aos direitos trabalhistas e à igualdade de gênero.

O comércio com a União Europeia não significa, na sua avaliação, renunciar ao papel do Estado em áreas estratégicas, como saúde, inovação, desenvolvimento industrial e agricultura familiar. Segundo ele, o objetivo é gerar empregos, atrair investimentos e impulsionar a reindustrialização do país.

Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia. Mas não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado”, afirmou.

O acordo, segundo o presidente, prevê dispositivos para incentivar empresas europeias a ampliarem investimentos no Brasil, com foco em cadeias de valor estratégicas para a transição energética e digital.

“O acordo que vai ser assinado amanhã é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa. E é bom, sobretudo, para o mundo e para o multilateralismo”, concluiu Lula.