Um relatório do Banco Mundial reforça o potencial do Ceará e do Nordeste na consolidação da economia digital no Brasil. O estudo “O Nordeste Digital”, elaborado para o Consórcio de Governadores da região, destaca avanços que vão além da infraestrutura tecnológica, com ênfase no capital humano, na inclusão digital, na inovação e na capacidade institucional dos estados.
No campo do capital humano, o Banco Mundial destaca que o Nordeste forma, anualmente, cerca de 15 mil profissionais em cursos ligados à tecnologia da informação. A região também forma aproximadamente 2 mil doutores por ano e conta com mais de 800 programas de pós-graduação, incluindo 150 doutorados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e ciências sociais aplicadas.
O relatório ressalta ainda o papel estratégico da rede de Institutos Federais, liderada pelo Ceará, considerada uma das políticas mais bem-sucedidas de interiorização da educação profissional e tecnológica no país, com mais de 150 campi distribuídos de forma estratégica pelo território nordestino.
“A expansão do ensino superior, a consolidação dos institutos federais e o fortalecimento dos centros de pesquisa são tratados como pilares da formação de talentos para a economia digital”, afirma o estudo, que define o Nordeste como um “celeiro de talentos com potencial global”.
Inclusão digital
Conforme o documento, o Ceará se sobressai pela inclusão digital territorializada, com cerca de 500 pontos de acesso à internet em comunidades de difícil acesso, equipados com conexão de alta velocidade e suporte técnico local. Esses espaços registram, em média, 100 mil acessos mensais, muitos deles representando o primeiro contato da população com serviços digitais.
O relatório também evidencia a abrangência do Cinturão Digital do Ceará (CDC), que conta com 5.921 quilômetros de fibra óptica e velocidade de 200 Giga – com previsão de ampliação para 400 Giga ainda neste ano. A rede cobre 139 municípios, o equivalente a mais de 72% do território cearense e mais de 90% da população do estado.
Inclusão digital e desenvolvimento regional
Segundo o Banco Mundial, políticas como o programa Ceará Conectado têm papel central na redução das desigualdades digitais. Atualmente, a iniciativa atende 136 dos 184 municípios cearenses, garantindo acesso livre à internet em praças públicas escolhidas pelas prefeituras. Somente neste ano, quase 900 mil cearenses utilizaram a rede.
“O Ceará criou, com investimento de R$ 300 milhões, uma infraestrutura de base para a digitalização de serviços públicos, educação remota e empreendedorismo digital”, aponta o relatório. Parte da rede do CDC foi concedida a provedores privados, o que impulsionou o surgimento de mais de 500 provedores regionais de internet. Esse modelo descentralizado ampliou a concorrência, gerou empregos locais e fortaleceu a economia digital em todo o Estado.
Região produtora de tecnologia
Ao analisar a inovação e os ecossistemas produtivos, o Banco Mundial observa que o Nordeste deixou de ser apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas em outros centros e passou a ocupar posição cada vez mais relevante como produtor de soluções digitais, científicas e tecnológicas.
Atualmente, a região concentra 23,5% das startups brasileiras, superando o Sul em densidade dessas empresas. O Nordeste também se destaca como polo de inovação em tecnologias limpas, com 15% das startups voltadas à área de energia renovável. Os investimentos em startups nordestinas já superam R$ 500 milhões por ano, com crescimento acima de 40% anuais.
O estudo aponta ainda que o investimento em pesquisa e desenvolvimento na região alcançou 1,2% do PIB nordestino, acima da média nacional. O setor de tecnologia já responde por cerca de 8% do PIB regional e cresce a uma taxa anual de 15%.
Para o Banco Mundial, a integração entre universidades, centros de pesquisa e empreendedorismo é decisiva para transformar ciência em valor econômico, fortalecendo a autonomia tecnológica do Nordeste e consolidando o protagonismo da região na transição digital brasileira.
