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Cientistas da UFC usam IA e criam sistema capaz de identificar precocemente causa de cegueira

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram um sistema inovador baseado em inteligência artificial capaz de identificar de forma precoce a retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira no mundo. A tecnologia combina conhecimentos das áreas de medicina, matemática e ciência de dados e abre caminho para uma nova geração de ferramentas diagnósticas mais acessíveis, precisas e com menor custo operacional.

O algoritmo atua na detecção de microaneurismas, pequenas lesões vasculares na retina que representam o primeiro sinal clínico da retinopatia diabética. A doença é uma complicação do diabetes e provoca danos progressivos aos vasos sanguíneos da retina, podendo levar à perda parcial ou total da visão quando não diagnosticada a tempo.

O grande diferencial da pesquisa, desenvolvida por cientistas da Faculdade de Medicina da UFC (Famed/UFC), está no uso do chamado Diagrama de Voronoi, uma ferramenta matemática que permite analisar a distribuição espacial dos microaneurismas no tecido da retina. A abordagem fornece informações adicionais ao sistema, aumentando significativamente a precisão do diagnóstico automatizado.

A análise matemática é combinada com técnicas de aprendizado de máquina, resultando no desenvolvimento do sistema batizado de VDRAN (Voronoi-based Diabetic Retinopathy Analysis). O modelo foi testado em um banco de 800 imagens oculares e apresentou altos índices de acurácia, com desempenho comparável ao de sistemas de inteligência artificial considerados de ponta em nível internacional. A diferença, segundo os pesquisadores, está no custo computacional muito mais baixo.

Fase de desenvolvimento

Por enquanto, a aplicação prática do VDRAN ainda não começou, já que o sistema se encontra em fase de protótipo acadêmico. Para que a tecnologia seja utilizada na rotina clínica, serão necessárias etapas adicionais, como o desenvolvimento de uma interface adequada para profissionais de saúde e a integração do sistema ao fluxo de atendimento em hospitais e unidades de saúde. Essas fases já estão em desenvolvimento.

“O cenário mais imediato de aplicação é o rastreamento em grande escala de pacientes com diabetes em Fortaleza”, afirma o pesquisador Mac Gayver da Silva Castro, responsável pelo desenvolvimento do sistema. Em médio prazo, ele projeta a integração da tecnologia a programas de telemedicina, ampliando o alcance do diagnóstico.

Um dos principais pontos positivos do sistema é o fato de todo o processamento dos dados ter sido realizado em um computador pessoal. Isso é possível porque o algoritmo utiliza recursos matemáticos mais simples, porém altamente informativos, o que facilita sua adoção por hospitais, clínicas e unidades de saúde que não dispõem de infraestrutura tecnológica avançada.

Os pesquisadores destacam que a incorporação da inteligência artificial à teleoftalmologia pode transformar o rastreamento da retinopatia diabética, especialmente em regiões carentes e distantes dos grandes centros urbanos. Com o diagnóstico remoto, a tecnologia pode levar atendimento especializado a locais onde não há oftalmologistas, contribuindo para a prevenção da cegueira evitável.