A descentralização dos grandes eventos de Fortaleza deixou de ser apenas uma diretriz administrativa e passou a se consolidar como política pública estruturante da cultura na Capital. Essa é a avaliação da secretária municipal da Cultura, Helena Barbosa, em entrevista exclusiva ao Opinião CE, durante o lançamento oficial do Ciclo Carnavalesco 2026, realizado nesta segunda-feira (12).
Segundo a secretária, o Carnaval de 2026 será um dos maiores exemplos dessa estratégia. Ao todo, serão 25 palcos, com a maioria concentrada no Pré-Carnaval, distribuídos pelas 12 regionais da cidade. A proposta, explica Helena, é garantir acesso, conforto, segurança e diversidade cultural para além dos espaços tradicionais.
“A gente tem criado um grupo junto com o secretariado para pensar todo o plano operacional, para trazer segurança, dar mais acesso e conforto para o público. O pré-carnaval vai bombar. Toda regional vai estar recebendo um palco diferente”, afirmou.
Para fortalecer essa lógica de circulação e escolha do público, a Prefeitura anunciou um aplicativo oficial do Ciclo Carnavalesco, que permitirá visualizar os eventos por geolocalização, montar roteiros personalizados e favoritar polos culturais, ampliando a autonomia da população na vivência da festa.

Cultura como presença cotidiana nos territórios
A descentralização, no entanto, não se limita ao Carnaval. Helena Barbosa destacou que 2026 será um ano simbólico para Fortaleza, que celebra 300 anos, e que a política cultural da gestão tem sido pensada de forma integrada com outras secretarias e com participação social.
Nesse contexto, ganha protagonismo o programa Cultura na Calçada, lançado em 2025 pela Secretaria Municipal da Cultura (Secultfor). A iniciativa percorreu as 12 regionais da cidade promovendo escuta ativa e diálogo direto com a população, artistas e produtores locais, com o objetivo de descentralizar decisões e alinhar as políticas culturais às realidades de cada território.
“É cultura por toda a cidade. Vamos ter mais de 400 contratações acontecendo dentro dos bairros. A cultura que nasce nas praças, nos saraus, nos reggaes, nos pagodes, nos sambas, nos forrós, vai receber fomento e visibilidade”, ressaltou a secretária.
A circulação do programa por escolas, equipamentos culturais, Cucas e sedes regionais também busca qualificar e ampliar a oferta cultural fora dos grandes equipamentos, fortalecendo a identidade cultural dos bairros e estimulando a economia criativa local.
Modelo já aplicado em outros grandes eventos
A política de descentralização também foi adotada em eventos de grande porte, como o Réveillon de Fortaleza 2026, que contou com três polos principais – Aterro da Praia de Iracema, Conjunto Ceará e Messejana. A programação ocorreu de forma simultânea, reunindo artistas locais e nacionais, com apoio da iniciativa privada e foco no fortalecimento dos bairros e na movimentação da economia.
Para Helena Barbosa, o modelo aponta para um novo paradigma de gestão cultural na cidade: menos concentração, mais diálogo e maior presença do poder público nos territórios.
“A gente já está pensando no São João, fizemos fórum com o movimento junino, estamos construindo tudo de forma coletiva. É uma política que fortalece a união da cidade e reconhece quem produz cultura no dia a dia”, concluiu.
Com a descentralização como eixo central, Fortaleza avança na construção de uma política cultural mais democrática, participativa e conectada à vida cotidiana da população, transformando grandes eventos em instrumentos permanentes de inclusão, desenvolvimento e pertencimento.
