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Conheça Mestre Macaúba do Bandolim, o homenageado do Ciclo Carnavalesco de Fortaleza

Músico recebeu o título de Mestre da Cultura em 2018. Foto: Governo do Ceará

O Mestre Macaúba do Bandolim, José Felipe da Silva, será homenageado no Ciclo Carnavalesco de 2026, que iniciará a partir desta sexta-feira (12), com atrações do pré-carnaval. O músico contabiliza uma trajetória de quase 70 anos de música, além de ser considerado o maior bandolinista do Ceará e uma referência para muitos músicos da cena artística cearense.

Como reconhecimento por seu legado para a história do choro no Ceará, em 2018, Macaúba foi diplomado pelo Governo do Ceará como Mestre da Cultura, com o mérito de “Tesouro Vivo”, por sua contribuição para a memória do patrimônio imaterial da cultura em nosso Estado.

Em entrevista ao Opinião CE, o Mestre relatou que possui uma longa trajetória tocando nas noites de Carnaval em trios elétricos na cidade de Fortaleza, também citou uma viagem que fez para tocar choro em Manaus. Ele se sente honrado em receber essa homenagem após um extenso histórico.

“É muita felicidade receber essa homenagem, foi uma longa trajetória até aqui”, destacou o músico.

A referência do choro

O choro é um dos mais originais estilos de música, principalmente instrumental, cuja origem remonta ao século XIX. Nascido no Rio de Janeiro, o choro ganhou forte expressão nacional, tornando-se um símbolo da cultura brasileira. É considerado o primeiro gênero musical urbano tipicamente brasileiro e Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

O Ceará é o único estado brasileiro que tem, entre os Mestres da Cultura, um profissional músico de chorinho agraciado com esse título. Merecedor de inúmeras homenagens, aplausos, prêmios e reportagens nos maiores jornais do País, ganhou, segundo a revista Veja, o título de “O sétimo melhor bandolinista do País”.

Mestre Macaúba representa a continuidade de quatro gerações de chorões: seu pai, Walter, bandolinista; ele próprio; seus filhos Marinaldo do Bandolim, Ronaldo do Cavaco; e o neto Leonardo do Bandolim.

O artista é um guardião do choro, um artista cuja paixão e dedicação moldaram não só sua própria jornada, mas também influenciaram muitos outros jovens que encontraram no Mestre uma referência. Sua maestria no bandolim e seu profundo conhecimento do gênero o tornaram uma fonte de inspiração para seus filhos e jovens bandolinistas admiradores.

Uma “lenda viva”

Para muitos, Mestre Macaúba representa uma “lenda viva” na história da música brasileira e vem contribuindo para preservar e difundir o chorinho, este estilo musical que permanece em evidência e continua a encantar e incentivar o público mais jovem.

O músico e professor da UFC, Jorge Cardoso, destaca que o Mestre é um representante de uma “tradição, de um grupo sonoro e de uma cultura”. Há décadas desempenhando uma trajetória de destaque no nosso Estado, tendo produzido muitos discos, gravações, participado de eventos e acompanhado cantores.

“O Mestre Macaúba do Bandolim representa, para mim, para a cultura do nosso Estado, um mestre de saber cultural, popular do choro, do bandolim”, pontuou.

A trajetória

José Felipe da Silva (73 anos) ganhou o apelido de Macaúba aos 12 anos de idade, quando iniciou a tocar bandolim, influenciado por seu pai, sr. Valter, também bandolinista, de quem herdou o talento e o virtuosismo.

Menor de idade, era “passado pelo muro” para tocar na gafieira do Goiânia, na Rua Mossoró, no Pirambu. Por muitos anos e até hoje participa dos grupos de samba e choro do Pirambu, do pastoril de Iparana e de reisados.

Músico instrumental autodidata, compositor e intérprete, tem se apresentado em grandes palcos em temas próprios e releituras de clássicos do choro, interpretando temas tradicionais de artistas como Jacob do Bandolim, Benedito Lacerda, Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha.

Gravou três discos e fez participação em diversos outros trabalhos de artistas locais e nacionais. Seu trabalho foi apresentado em espaços culturais como o Centro Cultural Banco do Nordeste e o Centro Cultural Dragão do Mar.

Em 2014, a Câmara Municipal de Fortaleza outorgou-lhe a Medalha Lauro Maia, a mais alta comenda do Poder Municipal, no plano da cultura, para homenagear referências na formação, pesquisa e prática na área da música, em Fortaleza.