O recesso parlamentar tem fim em fevereiro. Na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), a primeira sessão do ano deve ocorrer já na primeira semana do mês. Sendo um ano eleitoral, é comum que o clima entre os parlamentares se tensione cada vez mais à medida que o pleito vai se aproximando.
O desafio do Executivo será fazer com que a discussão não atrapalhe o andamento de matérias de interesse do Estado e que beneficiem a população. Já por parte dos oposicionistas, o grupo vai tentar voltar ao comando do Abolição e, para isso, precisará mostrar bastante trabalho, também no Legislativo.
Governista, o deputado estadual De Assis Diniz (PT) afirmou que é preciso ter responsabilidade para fazer com que os projetos avancem e a Casa funcione “na sua plenitude”.
Primeiro-secretário da Alece, o petista também integra a Mesa Diretora do parlamento cearense. Ele destacou, nesse ponto, que a gestão do presidente Romeu Aldigueri (PSB) tem buscado garantir o pleno funcionamento da Assembleia.
A previsão de De Assis é de que, a partir do final de junho e começo de julho, o clima fique mais “efervescente”. “O segundo semestre, pela própria natureza da disputa, fica mais concentrado no trabalho das bases”, disse. O parlamentar destacou, porém, que vê responsabilidade nos trabalhos realizados na Casa.
“O que a Assembleia fez ao longo desse ano foi completamente diferente de todos os outros períodos. Tivemos mensagem aprovada em tempo recorde e debate feito com respeito à oposição. Acredito que é nesse sentimento que a Mesa [Diretora] vai continuar, e com uma perspectiva de colher o que plantamos”, afirmou.
Na avaliação do deputado, o Estado vai “colher bons frutos” neste ano de 2026. De Assis acrescentou que a possibilidade de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) deu “passos consolidados”.
Também da base do Governo e, assim como De Assis, integrante da Mesa Diretora, a deputada Larissa Gaspar, sua correligionária e 2ª vice-presidente da Alece, afirmou que a expectativa para 2026 é de “muito trabalho”.
“A gente espera aprovar pautas positivas do governo, mas também avançar nos projetos de autoria dos parlamentares, que dialogam diretamente com as nossas plataformas de atuação política e com os compromissos que assumimos com a população”, disse.
A parlamentar frisou que o acirramento do debate entre os grupos políticos em um ano eleitoral faz parte da democracia. Ela destacou que as sessões da Assembleia já são estruturadas com o objetivo de garantir que as discussões eleitorais não atrapalhem o andamento dos trabalhos da Casa.
Ela finalizou afirmando que as agendas externas dos deputados junto às suas bases não significa que os legisladores irão deixar de cumprir os seus compromissos no Legislativo.
“A Assembleia tem maturidade institucional para garantir que o processo eleitoral não interrompa o funcionamento da Casa nem o avanço das pautas importantes para o Ceará”, acrescentou.
Oposição também fala em “ano de colheita”
Já pelo grupo oposicionista a Elmano, a reportagem conversou com o líder da oposição, o deputado Sargento Reginauro (União Brasil). O legislador afirmou que, neste ano, o Governo precisa dar respostas à população.
Segundo ele, o ano de 2026 vai ser “o ano de colheita” para a oposição.
“Quando chegamos na Alece em 2023, um trabalho que parecia ser completamente impossível, o de reverter o cenário político do Ceará”, afirmou.
O deputado acrescentou que o trabalho de denunciar, cobrar e mostrar as “fragilidades e contradições” do Governo teria refletido no resultado das eleições de 2024 em Fortaleza. Mesmo com a derrota para o prefeito Evandro Leitão (PT), a oposição viu o fortalecimento de André Fernandes (PL), derrotado por cerca de 10 mil votos de diferença.
Segundo Reginauro, o “sentimento de insatisfação” já se percebe em todo o Estado. Ele lembrou do Café da Oposição, que recebeu nomes da política cearense, incluindo o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que se apresenta como pré-candidato ao Governo do Estado.
A líder do Partido Liberal (PL) na Alece, Doutora Silvana, acredita que, em 2026, há um desafio “motivador”, classificou, que é a eleição do ex-ministro Ciro Gomes ao Governo do Estado. “Deixei claro desde o começo que o nome de Ciro, somado com sua trajetória de honra no Ceará, preenchem essa motivação no meu coração”, disse.
Em relação à sua reeleição, ela enxerga com tranquilidade o desafio de tentar mais um mandato. “Procuro manter um ritmo que não precise ser intensificado ou retardado no ano eleitoral. O meu eleitor reconhece meu ritmo intenso e isso me deixa orgulhosa de representá-los”, finalizou Silvana.
