O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (9) que a cooperação da gestão da nova presidente, Delcy Rodriguez, fez ele cancelar uma 2ª onda de ataques que faria ao país. A libertação de prisioneiros políticos pelo governo interino da Venezuela foi considerada por ele “um sinal de paz”.
Os presos políticos foram libertados na quinta-feira (08) após anúncio do presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, que pediu para que o mundo interpretasse como um gesto de boa vontade do novo governo.
“A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como um sinal de que está ‘buscando a paz’. Este é um gesto muito importante e inteligente. Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução, em uma escala muito maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás”, afirmou Trump em publicação nas redes sociais.
Na 1ª onda de ataque, no último final de semana, o Exército dos EUA entrou em Caracas em uma operação militar pontual para prender o Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ao todo, 100 pessoas morreram, segundo o governo venezuelano.
Em razão dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques [à Venezuela] que estava prevista, porque ao que tudo indica ela não será necessária. No entanto, todos os navios permanecerão posicionados por motivos de segurança”, completou Trump.
Até o momento, entre as pessoas mais notáveis a serem libertas estão a ativista venezuelana-espanhola Rocío San Miguel e o ex-candidato à presidência Enrique Márquez.
A libertação
As libertações dos prisioneiros políticos mantidos em prisões na Venezuela desde o regime Maduro são uma reivindicação frequente da oposição do país. Segundo Rodríguez, as libertações são um gesto de paz e um gesto unilateral por parte do governo interino. O deputado é irmão da presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após o sequestro de Nicolás Maduro pelos EUA, no último sábado (3).
Em conversa com jornalistas, Rodríguez agradeceu aos esforços do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao regime do Qatar, “que sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito que temos à vida plena e à autodeterminação”.
Ainda não se sabe se as negociações para as libertações envolveram o presidente Lula, o governo brasileiro ou algum outro ator político mencionado.
A ativista venezuelana Rocío San Miguel, que também tem nacionalidade espanhola, foi libertada da prisão ainda na quinta-feira (8). Ela estava detida desde 9 de fevereiro de 2024. A soltura foi confirmada pelo governo espanhol.
O Petróleo e o tráfico de drogas
Trump disse ainda que “pelo menos US$ 100 bilhões (cerca de R$ 540 bi)” serão investidos pela indústria petroleira na Venezuela e que se encontrará com executivos do setor na Casa Branca nesta sexta.
Nas últimas horas, o presidente dos EUA voltou a dizer que o país começará “em breve” ataques por terra a cartéis do tráfico de drogas, porém sem especificar onde e contra quais. No entanto, ele disse que “os cartéis estão controlando o México, é muito triste ver o que aconteceu com aquele país”.
