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Campeão olímpico quer transformar o Nordeste em um polo para o voleibol brasileiro

O mais novo programa de entrevistas do Opinião CE, “Resenha com Serginho“, estreou com a participação de um dos maiores nomes do esporte brasileiro. O convidado da primeira edição foi o ex-jogador e campeão olímpico de vôlei Marcelo Negrão, que falou sobre carreira, bastidores do esporte e apresentou um projeto ambicioso voltado para o desenvolvimento do voleibol no Nordeste.

Durante a entrevista, Marcelo Negrão detalhou a criação do Norde Vôlei, novo clube profissional que pretende transformar a região em um polo de formação de atletas. Campeão olímpico nos Jogos de Barcelona, em 1992, o ex-atleta explicou que o projeto tem como base a cidade de Fortaleza e utiliza as estruturas do Clube BNB.

Polo de vôlei no Nordeste

A proposta do Norde Vôlei vai além da participação em competições nacionais. Segundo Negrão, o objetivo central é estruturar categorias de base e atrair jovens talentos de todos os estados nordestinos, oferecendo condições reais para a formação esportiva e profissional. A ideia é implantar um centro de treinamento que funcione como referência regional no voleibol.

“Se a gente conseguir ir para a primeira divisão, eu vou fazer categorias de base. Fazendo categorias de base, a gente vai abrir isso para garotos do Nordeste inteiro estarem vindo para cá e ter aqui como referência, virar um polo, um centro de treinamento. E dali desse centro de treinamento você vai ter a oportunidade de se tornar um jogador de vôlei profissional“, afirmou Marcelo.

O campeão olímpico também relembrou a trajetória recente da equipe, que começou na Superliga C e rapidamente alcançou resultados expressivos. Em pouco tempo, o time conquistou o título da divisão, avançou para a Superliga B e ficou a apenas dois pontos de garantir uma vaga inédita na elite do vôlei brasileiro.

“O desafio foi sair do zero, da Superliga C. Em três meses, montamos um time e fomos campeões. Depois, na Liga B, ficamos a dois pontos da Superliga A. Seríamos o primeiro time do Nordeste na elite, representando a região inteira”, relatou.

Foto: Stephan Eilert/Norde Vôlei

Para a próxima temporada, a meta do clube é fortalecer a equipe, buscar melhores condições estruturais e lutar novamente pelo acesso à Superliga A.

A passagem de um dom

Mais do que relembrar a primeira medalha de ouro conquistada nos Jogos Olímpicos de 1992, o ex-atleta relembrou o encerramento da carreira como jogador, marcado por lesões e pela transição gradual para outras áreas do esporte.

“Eu parei de jogar em 2010. Tive um problema sério no joelho, que foi o mesmo problema do Ronaldo Fenômeno. Eu caí na quadra que estava molhada e acabei estourando o tendão, fiquei dois anos sem jogar. Nesses dois anos foi a minha aposentadoria da seleção brasileira. Joguei até 2005 em clubes e depois fui jogar vôlei de praia. Joguei mais cinco anos profissionalmente vôlei de praia e parei definitivamente em 2010″, explicou.

Negrão também detalha como a carreira de treinador surgiu de forma inesperada, inicialmente motivada pela vivência do filho nas categorias de base. A experiência acabou se transformando em um projeto maior, com foco na formação de atletas e na criação de um clube independente.

“Quando acabavam os jogos, eu ficava na arquibancada e os meninos vinham para perto de mim e perguntavam: ‘Marcelo, o que que eu preciso fazer?’ O técnico do time olhava para mim e falava: ‘Fala, né?’ E eu comecei a dar umas dicas para os meninos do time que meu filho estava jogando. Aí uma mãe chegou para mim e falou assim: ‘Olha, eu acho o seguinte, você recebeu um dom. Foi campeão muito novo, jogou o voleibol muito bem e você tem que passar’. Aí eu fiquei com aquilo na cabeça, cheguei para o diretor do clube e falei ‘Cara, eu quero ser técnico’”, detalhou de forma nostálgica.