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Maranguape é uma das primeiras cidades a receber vacina de dose única contra a dengue

Desde o início dos anos 2000, mais de 20 milhões de brasileiros já tiveram a doença (Foto: Renato Rodrigues | Instituto Butantan)

O município de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, está entre as primeiras cidades brasileiras escolhidas para iniciar a aplicação da nova vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A imunização começa no próximo dia 17 e marca um avanço histórico no combate à doença, que há décadas afeta a população cearense.

A vacina é a primeira do mundo contra a dengue administrada em dose única e oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus. Em Maranguape, o público-alvo será formado por pessoas com idade entre 15 e 59 anos. A cidade foi selecionada para a fase inicial do programa por ter características populacionais semelhantes às de outros municípios escolhidos, com cerca de 100 mil habitantes.

Além de Maranguape, a vacinação também terá início em Nova Lima, em Minas Gerais, também no dia 17, e em Botucatu, no interior de São Paulo, no dia 18. A estratégia busca avaliar a aplicação do imunizante em contextos urbanos distintos antes da ampliação para todo o país.

Em dezembro, o Ministério da Saúde firmou contrato para a aquisição de 3,9 milhões de doses da vacina, que serão distribuídas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O primeiro lote será destinado aos profissionais da atenção primária à saúde, responsáveis pelo atendimento direto à população nas unidades básicas.

A ampliação da vacinação em nível nacional dependerá do aumento da produção do imunizante, que será viabilizado por meio da transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e uma empresa chinesa. A expectativa é de que, gradualmente, a vacina seja ofertada a diferentes faixas etárias, do público jovem ao mais idoso.

A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a análise de um estudo clínico com acompanhamento de cinco anos e a participação de 16 mil voluntários. Os resultados indicaram eficácia geral de quase 75% e cerca de 90% de proteção contra casos graves da doença e quadros com sinais de alarme, na faixa etária de 12 a 59 anos.

Atualmente, o SUS disponibiliza outra vacina contra a dengue, produzida no Japão, que exige duas doses e é voltada exclusivamente para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Segundo o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, o início da vacinação representa um marco para a saúde pública brasileira. “É um feito histórico para a ciência e a saúde do Brasil. Uma doença que nos aflige há décadas agora poderá ser enfrentada com uma arma muito poderosa. Um desenvolvimento feito por cientistas, trabalhadores e voluntários brasileiros que poderá salvar vidas por todo o país”, afirmou.

O cenário epidemiológico reforça a importância da iniciativa. Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, quatro vezes mais do que em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde. Já em 2025, até meados de novembro, foi notificado 1,6 milhão de casos. Desde o início dos anos 2000, mais de 20 milhões de brasileiros já tiveram a doença.