O Fortaleza surpreendeu o cenário do futebol feminino nos últimos dias. Depois de anunciar que encerraria suas atividades na modalidade, o clube voltou atrás e vai disputar a Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino em 2026. A novidade vem por meio de uma parceria com o projeto R4, iniciativa cearense voltada à formação de novas atletas.
A permanência do time na elite nacional ganha ainda mais relevância ao se considerar a temporada de 2025, marcada por feitos históricos. O Fortaleza conquistou o acesso à Série A1, levantou o título do Campeonato Cearense, foi campeão da primeira edição da Copa Maria Bonita e disputou a Copa do Brasil Feminina. O mais impressionante é que o time encerrou o ano invicto, um feito raro no futebol nacional, que reforça a consistência esportiva e a excelência do trabalho desenvolvido pelo clube.
É importante ressaltar também que, no último ano, cinco atletas do Fortaleza foram convocadas para as seleções brasileiras de base do Sub-15, Sub-17 e Sub-20, evidenciando a qualidade do desenvolvimento das jogadoras e das categorias de base.
O anúncio de abandono havia gerado alvoroço entre os torcedores, que culpabilizaram o rebaixamento da equipe masculina principal comissão técnica e entidades do futebol feminino reagiram com preocupação à possibilidade de o clube deixar a principal divisão do país. Agora, com o acordo, o Fortaleza retoma seu papel de protagonista na elite nacional.
Ainda não foram divulgados os detalhes do convênio com o R4. O acordo garante que o clube permaneça na Série A1 e evita que a vaga fosse repassada ao Mixto-MT, que seria beneficiado caso o Fortaleza desistisse. Pelo regulamento, o Vitória ocupará a posição deixada pelo Real Brasília, que abriu mão da participação por falta de patrocínio.
Criado por Ronaldo Angelim, ex-jogador do Ceará, o R4 tem sede em Juazeiro do Norte e foca na formação e desenvolvimento de atletas do estado. Antes da parceria com o Fortaleza, o projeto já atuava em competições nacionais e agora assume papel central na continuidade do futebol feminino do clube.
A decisão representa uma virada importante, mostrando que investimento e atenção à modalidade ainda podem prevalecer mesmo diante de obstáculos financeiros.
