Na Vila de Jericoacoara, no Litoral Oeste do Estado, uma iniciativa da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) vem garantindo a destinação correta do óleo de cozinha usado, ao unir preservação ambiental, proteção da rede de esgoto e geração de renda para a comunidade local.
A ação atende pelo nome de Óleos de Jeri e concentra esforços na coleta do resíduo junto a estabelecimentos comerciais da vila, reduzindo o descarte irregular e os danos provocados ao meio ambiente.
Desde a criação, em 2024, a proposta central envolve a retirada do óleo usado de restaurantes, hotéis, pousadas e outros pontos comerciais, impedindo que o material seja despejado de forma inadequada na rede de esgoto. Apenas em 2025, cerca de 5 mil litros deixaram de alcançar as tubulações, fortalecendo a preservação do sistema de esgotamento sanitário e dos recursos hídricos da região.
IMPACTO AMBIENTAL
Os efeitos ambientais chamam atenção. Levantamentos técnicos indicam que um único litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água, já que o resíduo não se dissolve e, ao alcançar rios, lagos ou o oceano, compromete a vida aquática e intensifica a poluição.
Em um território como Jericoacoara, onde o meio ambiente sustenta o turismo e a economia local, o cuidado com esse tipo de resíduo se torna ainda mais estratégico para a preservação do destino.
“O principal objetivo do programa é evitar que o óleo seja despejado na rede de esgotamento sanitário, por meio de uma parceria com os estabelecimentos de Jericoacoara. A Cagece fornece recipientes adequados e todo o óleo recolhido é destinado à cooperativa de catadores da vila“, explica Delano Cidrack, gerente de Meio Ambiente da Cagece.
FUNCIONAMENTO
O funcionamento do projeto segue uma lógica simples e eficiente. Equipes sociais da Cagece realizam visitas periódicas aos estabelecimentos, promovendo orientações sobre uso responsável da água e cuidados com a rede de esgoto.
Após esse contato, a companhia disponibiliza recipientes coletores, instalados nas cozinhas, onde o óleo usado permanece armazenado de forma segura até a retirada.

Com o volume acumulado, a Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Jericoacoara assume a coleta semanal. Todo o resíduo segue para a empresa Indama, do Piauí, responsável pelo reaproveitamento do material na produção de sabão, velas, ração e outros insumos.
PREVENÇÃO
Além da proteção ambiental, a iniciativa atua de maneira preventiva na infraestrutura da vila. A retirada do óleo reduz riscos de entupimentos e falhas no sistema de esgotamento sanitário.
“Essas obstruções causam transtornos para moradores, comerciantes e turistas. Ao retirar o óleo, evitamos que essa gordura comprometa tubulações ou sistemas maiores“, destaca Marina Barreto, gestora da Cagece no núcleo de Jericoacoara.
RETORNO SOCIAL
Os benefícios alcançam também a dimensão social. A destinação correta do óleo garante renda aos catadores, fortalece a economia local e promove inclusão produtiva. “Hoje existe um valor fixado por litro, que pode chegar a até 3 reais. Esse montante acumulado gera uma renda significativa para os catadores que atuam na vila”, relata Edicarlos Araújo, secretário da cooperativa.
Entre os estabelecimentos participantes, o engajamento constante se reflete em números. O Club Ventos liderou a destinação em 2025, com cerca de 1.125 litros de óleo entregues ao projeto.
TURISMO SUSTENTÁVEL
Para quem depende diretamente do turismo, a adesão surge como compromisso natural com o território. A preservação ambiental garante a continuidade das atividades econômicas da vila. “Nós vivemos do turismo, do mar e de todo o meio ambiente. Precisamos que tudo funcione em harmonia para que o turismo prospere“, afirma Camila Dias, chef de cozinha do Club Ventos.
A iniciativa conta com parceria da Secretaria de Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), ampliando a integração entre poder público, iniciativa privada e comunidade local.
EXPANSÃO
A expectativa para 2026 aponta crescimento do projeto, com ampliação do número de estabelecimentos participantes e intensificação das ações educativas. “A ideia é ampliar a adesão. A Cagece seguirá fortalecendo as visitas porta a porta, explicando os benefícios e o funcionamento do projeto”, adianta Delano Cidrack.
Novas oficinas educativas também estão previstas, com foco na produção de sabonetes e velas a partir do óleo reutilizado, permitindo que os produtos retornem aos estabelecimentos parceiros e reforcem o ciclo sustentável da iniciativa.
