Menu

Presidente interina da Venezuela baixa o tom e defende agenda de colaboração com os EUA

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sinalizou uma mudança de tom na relação com os Estados Unidos ao defender a construção de uma “agenda de colaboração” entre os dois países. Em carta pública endereçada ao presidente norte-americano, Donald Trump, divulgada nas redes sociais, Rodríguez afirmou ser prioritário avançar para um relacionamento “equilibrado e respeitoso”, baseado na igualdade entre as nações e sem ingerência externa.

No documento, a dirigente venezuelana convida o governo dos EUA a trabalhar conjuntamente em uma agenda de cooperação voltada ao desenvolvimento compartilhado, dentro dos marcos da legalidade internacional. Segundo ela, o objetivo é fortalecer uma convivência duradoura entre os povos, fundada no diálogo e no respeito mútuo.

Após a operação que prendeu o presidente venezuelano afastado, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, Trump afirmou que o próprio governo norte-americano passará a administrar o país latino-americano até que seja possível realizar uma transição de poder. Maduro e Cília são julgados nos EUA por acusações de narcotráfico.

Defesa do diálogo e da paz

Ao longo da carta, Delcy Rodríguez reforça o discurso de pacificação e diálogo, em meio ao agravamento da crise política e militar no país. “Presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Esse sempre foi o predicamento do presidente Nicolás Maduro e é o de toda a Venezuela neste momento”, afirmou.

A presidente interina acrescentou que essa é a Venezuela na qual acredita e à qual dedicou sua vida, defendendo o direito do país à paz, ao desenvolvimento, à soberania e à construção do próprio futuro.

Contexto da crise

A manifestação ocorre após o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, no último sábado (3), quando explosões foram registradas em diferentes bairros de Caracas. Durante a ofensiva, o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

A ação marca um novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão militar norte-americana a um país da região havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi sequestrado sob acusação de narcotráfico.

Assim como no caso panamenho, o governo dos EUA acusa Maduro de liderar um suposto cartel de drogas, o chamado Cartel de Los Soles, sem apresentar provas públicas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a própria existência do grupo.

Durante os últimos anos, a gestão Trump chegou a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Para críticos da operação, a ofensiva teria motivações geopolíticas, para afastar a Venezuela de aliados estratégicos como China e Rússia e ampliar o controle norte-americano sobre o petróleo venezuelano – o maior volume de reservas comprovadas do planeta.