Territórios como Pirambu, Serrinha, Padre Andrade, Jangurussu, Messejana, Conjunto Palmeiras e outros bairros da periferia de Fortaleza estão na origem dos artistas contemplados pelo projeto O Sonho e o Som, desenvolvido pelo Centro Cultural Belchior (CCBel).
Reconhecida como uma das iniciativas mais inovadoras do País no fomento à cadeia musical por meio de políticas públicas de cultura, a ação tem como proposta valorizar a produção musical local e fortalecer uma cena diversa e descentralizada na capital cearense.
A primeira edição do projeto chega à etapa final com o lançamento do álbum Sons de Fortal – O fino da cidade, trabalho que reúne 10 faixas e expressa a pluralidade estética, sonora e territorial da música produzida em Fortaleza.
A iniciativa do CCBel, equipamento da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), gerido em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI), resultou na seleção de 10 artistas da Cidade. Cada participante desenvolveu três músicas autorais ao longo de quatro meses de imersão criativa, com consultorias em gestão de carreira, comunicação e todas as etapas da produção musical.
LANÇAMENTO FINAL
O encerramento do percurso acontece com o lançamento do álbum digital, que disponibiliza uma faixa de cada artista nas principais plataformas de streaming, além de um show especial reunindo as obras criadas durante o projeto. O disco chega ao público na sexta-feira (9), enquanto o show gratuito está marcado para o sábado (10), a partir das 17 horas, no Anfiteatro da Beira-Mar.
Antes da estreia oficial, uma audição exclusiva para convidados será realizada na quarta-feira (7). O lançamento de Sons de Fortal – O fino da cidade também marca a estreia do Iracema Sounds, selo musical criado pelo Instituto Cultural Iracema para organizar e profissionalizar a circulação das obras produzidas.

A atuação do selo envolve gestão e distribuição musical, além da proteção dos direitos autorais e conexos dos artistas participantes, ampliando a sustentabilidade da produção local.
CENA PLURAL
Com produção assinada por nomes como Daniel Ganjaman, Agê, Marcus Au, Ednobeat, Felipe Couto e Glauber Alves, além da participação de músicos convidados, o álbum percorre gêneros como MPB, rap, R&B, funk pop, pagode, cumbia, experimental e neosoul. O resultado reforça a identidade plural da cena musical fortalezense.
Participam desta edição os artistas Mumutante (Serrinha), Caiô (Benfica), Rosabeatz (Padre Andrade), Otto Nascimentu (Pirambu), Mateus Honori (Jangurussu), Batuta (Conjunto Palmeiras), Ayla Lemos (Messejana), Dipas (Pio XII), Joana Lima (Quintino Cunha) e Zabeli (Jardim Iracema).
A diversidade territorial e sonora aparece como um dos principais eixos do projeto, que conecta trajetórias artísticas distintas e amplia a visibilidade de produções vindas de diferentes regiões da Cidade.
POLÍTICA CULTURAL
Voltada ao fortalecimento das políticas públicas de cultura, a iniciativa reafirma Fortaleza como um território musical marcado por múltiplos estilos, linguagens e trajetórias, vividas entre o sonho e o som, em referência à obra de Belchior.
Segundo a diretora do Centro Cultural Belchior, Fernanda Matias, o projeto representa um avanço concreto na profissionalização da cadeia produtiva da música na Cidade. O acesso a estúdio de qualidade, acompanhamento técnico e estratégias de comunicação ampliou a visibilidade dos artistas participantes.
A gestora destaca que O Sonho e o Som integra um conjunto de ações da atual gestão voltadas ao desenvolvimento da música em Fortaleza, com foco em formação, circulação e sustentabilidade artística.
NOVO SELO
Criado em 2025, o Iracema Sounds é gerido pela Secultfor em parceria com o Instituto Cultural Iracema. O selo atua em frentes como curadoria artística, produção fonográfica e estratégias de lançamento, conectando artistas locais ao mercado.
Com projetos integrados de comunicação, audiovisual e experiências ao vivo, o Iracema Sounds articula território, diversidade sonora e impacto cultural, ampliando o alcance da música produzida em Fortaleza.
