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Entre esperança e preocupação: venezuelana conta o que espera do futuro da Venezuela

Uma moradora da cidade de El Tigre, na Venezuela, conta o misto se sensações no primeiro dia útil após a ofensiva dos Estados Unidos contra Nicolás Maduro, no último fim de semana. Em entrevista ao Opinião CE, por meio de mensagens de texto, a jovem, que preferiu não se identificar, diz acreditar que a principal motivação para o ataque é econômico e se mostra insegura quanto ao futuro de seu país.

Sinto que isso foi, ou é, apenas negócios. Claro, não nos importamos mais, contanto que haja uma mudança real, uma democracia real”, respondeu.

Durante a entrevista, ela contou como foi viver sob o governo de Maduro, quais as reações e sentimentos após as ações militares dos Estados Unidos. Ao ser questionada sobre seu posicionamento com relação ao presidente Donald Trump, ela respondeu: “A Trump siempre lo he visto como lo es, un empresario”- sempre vi Trump como ele é: um empresário, em tradução livre.

Após o ocorrido na madrugada de sábado, o clima foi de tensão e preocupação com os familiares que moravam em Caracas, local onde houve o atentado. A entrevistada conta que ficou em constante comunicação.

“Hubo bastante miedo porque lo vivieron de cerca” — “Havia muito medo, porque eles vivenciaram tudo em primeira mão”, relatou.

Durante o fim de semana, a sensação era de calmaria. As lojas permaneceram fechadas e as pessoas ficaram dentro de casa.

Necessidades básicas como luxo

A entrevistada nasceu e cresceu sob o governo de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Por causa disso, não conhece outra realidade e pontua que se acostumou com a decadência e as restrições. Segundo ela, diante desse estilo de vida, a população passou a ver necessidades básicas como luxo. Quando ocorreu a invasão, o estado foi de choque, como se não conseguisse acreditar no que realmente estava acontecendo.

Ao ser questionada se o sentimento que prevalecia era de esperança ou preocupação, ela respondeu que ambos estão presentes, principalmente para pessoas como ela, que trabalham em cargos públicos, ligados ao governo.

Entenda

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, devem ser processados por tráfico internacional de drogas, acusação que, até o momento, não teve provas apresentadas publicamente pelo governo dos Estados Unidos. Após o desembarque nos EUA, o casal foi transportado de helicóptero até Manhattan, onde ficou inicialmente sob custódia na sede da DEA.

No sábado, em coletiva de imprensa, o presidente Donald Trump fez sua primeira manifestação oficial após a invasão militar na Venezuela e a captura de Maduro. Trump afirmou que o próprio governo norte-americano passará a administrar o país latino-americano até que seja possível realizar uma transição de poder.

Segundo autoridades dos EUA, a operação militar envolveu cerca de 150 aeronaves e foi planejada ao longo de vários meses. O presidente americano não soube estimar por quanto tempo Washington deverá exercer controle direto sobre a Venezuela, que possui uma fronteira superior a dois mil quilômetros com o Brasil. Ainda assim, indicou a possibilidade de diálogo com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, sobre a formação de um eventual governo interino.