O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, declarou neste sábado (3) estar profundamente alarmado com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Venezuela, após a operação militar conduzida por Washington em território venezuelano.
Em nota oficial, o chefe da ONU classificou a ação como um precedente perigoso e fez alerta direto sobre o desrespeito às normas do Direito Internacional.
Relatos de agências internacionais indicam que a ofensiva norte-americana incluiu ataques noturnos à capital Caracas e a outras regiões do país, além da suposta captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças especiais dos Estados Unidos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, informou em redes sociais que Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, foram retirados da Venezuela e levados para fora do país.
Declarações da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, apontaram que o presidente venezuelano e a primeira-dama devem enfrentar processos judiciais em solo norte-americano. A acusação formal mencionada pelas autoridades dos Estados Unidos foi apresentada em 2020 e prevê julgamento em tribunais do país.
DIREITO INTERNACIONAL
Na manifestação pública, António Guterres destacou que, independentemente do contexto político venezuelano, os acontecimentos recentes representam risco concreto à ordem internacional. O secretário-geral reforçou a obrigação de respeito integral ao Direito Internacional e à Carta das Nações Unidas.
Preocupação explícita com o descumprimento das normas internacionais foi expressa pelo líder da ONU, que pediu contenção imediata das partes envolvidas. O posicionamento também incluiu apelo pela adoção de soluções diplomáticas para evitar novo agravamento do conflito.
Defesa de diálogo político amplo entre os atores venezuelanos também integrou a nota da ONU. Segundo António Guterres, o respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito deve ser o caminho para a superação da crise no país.
CRISE REGIONAL
A operação militar dos Estados Unidos ocorre após meses de aumento da tensão bilateral. Informações de agências internacionais apontam crescimento da presença militar norte-americana na costa venezuelana e ações contra embarcações suspeitas de ligação com o narcotráfico.
Medidas recentes adotadas por Washington incluíram a apreensão de navios petroleiros e sinais de possíveis operações terrestres. O cenário elevou o nível de alerta diplomático e militar na região nas últimas semanas.
Após os ataques deste sábado, o governo da Venezuela decretou estado de emergência nacional. Até o momento, não há confirmação oficial sobre número de vítimas nem sobre a extensão dos danos causados pela ofensiva.
Classificação da ação como agressão militar extremamente grave foi feita pelo governo venezuelano, que solicitou formalmente a convocação de uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU. O encontro deve ocorrer em Nova Iorque para discutir a situação.
